Cobertura: Primeiro dia do Festival Mundo 2013

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O que chama atenção para quem chega cedo ao festival, que abriu as portas da Usina Cultural Energisa às 15 horas e as apresentações começaram as 16 horas, é o pouco público presente para ver as bandas. Cheguei atrasado no 1º dia do festival e peguei apenas as três últimas músicas da primeira atração, a banda paraibana Licenciosa, mas deu pra perceber que a maioria das pessoas que estavam ali vendo o show ou era da imprensa ou da produção do festival. No palco, do pouco que deu pra acompanhar a banda, pareceu que o Licenciosa faz um rock derivativo, que serve apenas para acompanhar a bebedeira de amigos em algum pub da cidade. A parte instrumental era eficiente dentro das suas limitações, mas o vocal pálido e letras sobre qualquer coisa não era tão convidativas.

Finda essa apresentação, foi hora de ir para outro palco, um pouco maior que o primeiro, para logo começar a segunda atração. A existência de dois palcos no festival cria um ótimo dinamismo e deixa um pequeno espaço tempo entre uma banda e outra. Assim, pouco após o Licenciosa, foi a vez do instrumental paraibano Procura-se Fabiano se apresentar. Formado por três Fabianos, o trio apóia no rock simples para passear em meios a grooves, jazz, experimentações, ritmos nordestinos, entre outros estilos distintos, que os fazem parecer um crossover entre Macaco Bong e o Conjunto Musical Do Amor. Tocando com competência para pouquíssimas pessoas, fato ironizado algumas vezes pela própria banda, deu as suas performances um clima de jam session e fugiam do básico guitarra-baixo-bateria ao incrementar pífano e efeitos vocais nas suas músicas. Continuar lendo

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Festival Mundo acontece neste final de semana em João Pessoa

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A semana segue culturalmente agitada em João Pessoa com a nona edição do Festival Mundo, evento produzido pelo Coletivo Mundo e que já se encontra consolidado no calendário paraibano celebrando a convergência integrada das artes foca no cenário independente local com produções, formações, intervenções e trocas de conhecimento e experiências através de distintas práticas artísticas, como música, audiovisual, artes cênicas e performáticas, artes visuais, além de integrar outras áreas temáticas, como esporte, cultura digital e gastronomia.

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O festival ocorre mais uma vez na Usina Cultural Energisa, abrangendo suas atividades para o Centro Cultural Espaço Mundo, e se iniciou no sábado passado, 26 de outubro, com oficinas, vernissage e apresentações musicais, que trouxe no primeiro dia as bandas Madian e o Escarcéu, do Maranhão, e a recifense Foxy Trio. Principal fio condutor do Festival Mundo, a música recebe maior destaque nos dias 2 e 3 de novembro, sábado e domingo, com uma programação que valoriza os artistas locais e apresenta alguns nomes do cenário nacional, sempre oferecendo variados estilos musicais.

No sábado, vale a atenção para os locais Zeferina Bomba, banda de noise rock que completa dez anos em 2013, uma das atração confirmada no South by Southwest de 2014, e A Troça Harmônica, que une música e poesia em um festejo minimalista. Em relação aos nacionais, destaque para a rapper paulistana Lurdez da Luz, o músico carioca Curumin e as bandas Far From Alaska, do Rio Grande do Norte, e a gaúcha Medialunas. Já no dia seguinte, as menções vão para as experimentações eletrônicas e visuais do grupo paraibano Rieg, para o stoner/doom do Red Butcher, o stoner metal potiguar do Monsters Coyote, a mistura do rock com samba dos também paraibanos Seu Pereira e Coletivo 401 e fechando a noite do último dia de festival, o mítico músico pernambucano, Di Melo.

Quase toda parte da programação do evento é gratuita, a exceção são as apresentações musicais dos dias 2 e 3 de novembro,o onde os ingressos para meia entrada irão custar R$ 15 (antecipado), R$ 20 (na bilheteria), R$ 25 (pacote para os dois dias antecipado) e R$ 35 (pacote para os dois dias na bilheteria), sendo possível para quem não é beneficiando pela meia entrada o ingresso social, R$20 mais um livro, o ou ingresso “dahora”, R$15 para quem chegar antes das 16 horas. As vendas antecipadas acontecem no Espaço Mundo (Varadouro), na Música Urbana (Centro), na Gracom (Centro) e na Furtacor (Shoppings Tambiá, Sul e Mag) ou por meio do site Eventick.

Confira a programação musical do festival:

[SAB – 02/nov] – 16h – Usina Cultural Energisa
Licenciosa (PB) / Procura-se Fabiano (PB) / Medialunas (RS) / Far From Alaska (RN) / Facada (CE) / Zeferina Bomba (PB) / DuMatu + Til Dal + Atômico MC + SH + Camila + Preto Alisson (PB) / Troça Harmônica (PB) / Lurdez da Luz (SP) / Curumin (SP)

[DOM – 03/nov] – 16h – Usina Cultural Energisa
Mate Ou Morra (PB) / Red Butcher (PB) / Monster Coyote (RN) / Uh La La (PR) / Burgo (PB) / Rieg (PB) / Seu Pereira e Coletivo 401 (PB) / Escurinho (PB) / DuSouto (RN) / Di Melo (PE)

Escute a mixtape do festival

 

Cobertura: Festival Mundo 2012 (11/11)

Na segunda noite de shows, preferimos fazer a cobertura das últimas cinco bandas do line up do Mundo – não desprezando as outras bandas que tocaram mais cedo, apenas optamos por escrever as bandas que nossa audiência escuta. Acho que a ótima Microfonia deve ter realizado uma cobertura desta parte mais rockeira. Vale destacar aqui o show dos malucos do Leptospirose, um dos melhores shows da noite.

Os uruguaios do Silverados, subiram no palco principal do Mundo às 20h. Com músicas repletas de influências do hard rock e do punk americano, a banda conquistou o público do festival aos poucos. Uma surpresa foi ver a ótima performance de palco dos instrumentistas do grupo. A banda teve o azar de o amplificador apresentar problemas durante o show, mas logo foi resolvido. O vocalista estava inquieto, chegou até a vestir uma camisa do flamengo, e o guitarrista mostrou estilo chegando a ficar de cueca de “zebrinha”. Com isso, o grupo conseguiu cativar mais o público que estava empolgado fazendo rodas de pogo na frente do palco.

Antes mesmo de o Dead Fish entrar no palco e começar o show, uma horda de fãs estava disputando o espaço na frente do palco secundário do Mundo. Dead Fish estava na programação cotada como headliner do festival. A banda veio a cidade apresentar músicas do repertório do disco/dvd lançado este ano “20 anos ao vivo no Circo Voador”. O público foi ao delírio na apresentação, moshes e rodas de pogas eram constantes. O grupo abriu o show com a música “Asfalto” do álbum Contra Todos (2009). Um das faixas que destacamos na apresentação é “Proprietário do Terceiro Mundo”. O Dead Fish usou bastante o recurso de mutar o PA pra escutar o coro da galera em algumas partes das músicas.

Salve uma banda indie no Mundo, enfim a baiana/paulista Maglore subiu ao palco principal do festival. A apresentação foi marcada por músicas do disco Veroz, lançado em 2011. Muitos comparam a banda com Los Hermanos, mas acho que o grupo consegue fazer um pouquinho diferente. Ainda falta mais um pouco de carisma no palco e uma Ana Júlia, por exemplo. No festival, o pouco público indie se divertiu e cantou músicas como “Demôde” e o grande hit conhecido da banda “Tão Além”. Show divertido mas um pouco sem sal.

A Sonora Samba Groove, foi realmente a banda arroz de festa do cena musical paraibana deste ano, quase todos os eventos locais a banda esteve presente na programação, no festival Mundo não foi diferente. Porém, isso é um mérito para banda, se ela se apresenta muito é porque possui um ótimo trabalho. A Sonora fez um show como seu nome próprio descreve repleto de grooves e com muito samba, esquentou bem o público antes do show da pernambucana Eddie. Destacamos aqui da apresentação a faixa “Fugirei”, de autoria do Arthur Pessoa da Cabruêra.

Eddie era alvo do festival mundo 2011, por alguns motivos a banda terminou não entrando no line up daquele ano, mas veio para o Festival Mundo 2012 fazer mais um show do disco Veraneio (2011) em João Pessoa. Talvez a banda seja o grupo pernambucano de mais sorte, junto com a Academia da Berlinda, por se apresentar constantemente na cidade.

O show começou por volta das 23h, o público do festival já era bem inferior ao de Siba na outra noite, talvez pelo motivo do grupo se apresentar muito na cidade, ou porque era um domingo, não sei. Porém, o grupo não faz feio, tornou a Usina Cultural um bloco de carnaval de Olinda e fez todo mundo dançar e cantar. Isso mesmo, o fim do Mundo terminou em carnaval. O show foi cheio de hits do grupo, músicas como “Quando a Maré Encher”, “Ela Vai Dançar”, “Desequilíbrio”, “O Baile de Betinha” e “Maranguape” estavam no repertório.

Cobertura: Festival Mundo 2012 (10/11)

Fotos de Rafael Passos

Na verdade, o primeiro show estava marcado para começar às 16h, mas o Mundo inicia seu primeiro dia de shows pecando com a pontualidade. Eram 17h quando a Soulscream, primeira banda a tocar no festival, subiu no palco principal. O festival mundo continua insistindo nesses shows no fim da tarde com bandas iniciantes que não possuem um bom público representativo, o resultado foi que o grupo fez um show para no máximo 30 pessoas assistirem. Analisando o line up deste primeiro dia, a banda era a mais “rockeira”, então o grupo pode ter ficado deslocado deste dia já que não tinha quase nenhuma similaridade com as outras bandas que se apresentariam logo mais tarde.  O show seria mais válido se fosse realizado no dia do rock pesado do festival, o domingo.

O Festival Mundo realmente começou para o Atividade FM com a apresentação do grupo Hazamat. A banda subiu no palco meia hora depois do final do show do Soulscream, horário em que o público do festival estava realmente chegando e se mostrando interessado com o som do grupo. O Hazamat lançou um disco homônimo no final do ano passado e agora colhe os frutos do trabalho apresentando-se no festival. A banda conseguiu fazer uma ótima performance ao vivo das músicas do disco. Eles cativaram bem o público, que se mostrou interessado e contribuiu com alguns coros das faixas. Destacamos as músicas “Mazorca” e “Astrolábios” nesta apresentação. O festival teria acertado bem se tivesse colocado o grupo para iniciar este primeiro dia de shows. Outra coisa importuna foi que infelizmente o grupo não chegou a completar seu setlist por causa do tempo, e vale relatar que o show atrasou no início por uns 5 minutos por conta do iluminador que não estava no seu devido local de trabalho.

 O Musa Junkie está realmente de volta as atividades. O grupo que voltou depois de um hiato de 5 anos, no Grito Rock João Pessoa de 2011, ganhou espaço para mostrar suas músicas mais novas e antigas no palco do festival. Vale destacar que essa foi a segunda banda a entrar no palco principal do Mundo no sábado. O Show foi marcado pelo conhecido som do punk cruzando-se com o grunge.  A apresentação também contou com participações, como do vocalista do Zefirina Bomba, Ilsom Barros, e da vocalista Alana Franca, que tornaram o show um pouco mais instigante.

Kalouv foi à primeira banda de fora do estado a se apresentar no palco do Mundo. Os pernambucanos vieram divulgar seu mais novo disco do gênero post-rock “Sky Swimmer” (2011). A apresentação foi bastante intimista, a Kalouv me fez lembrar bastante do famoso grupo de também post rock: Explosions In The Sky. Foi um show pra sentar e apreciar cada camada sonora com atenção, e foi mais ou menos isso o que o público fez. A banda não fez feio e apresentou musicas bonitas e bem trabalhadas, de onde destacamos duas músicas: “Waves” e “Agripa”.

A banda local Chico Correa & Eletronic Band volta ao palco do Festival Mundo, mesmo sem lançar um disco de músicas novas desde de 2006. A novidade foi o trabalho de remixes lançado neste ano. Vale lembrar que o grupo tocou na edição de 2009 e Esmeraldo Marques (Totonho e Os Cabras, Baiana System) é talvez uma das figuras que mais se apresentou no festival. Era por volta das 21h quando grupo subiu no palco secundário do Mundo. Apesar de ser um grupo bem conhecido na cidade, o show era bastante esperado pelo público que dançou ao som do repertório da banda que incluía sucessos como a música “Eu pisei na Pedra”.

Totonho trouxe sua banda completa do Rio de Janeiro, conhecida como Os Cabras. O show foi no palco secundário antes da apresentação do Siba no principal. Totonho entrou no palco com um balde na cabeça, fez careta, dançou e logo o público foi ao delírio com sua performance. Com isso agregado ao seu carisma no palco, Totonho ganhou o público logo nos primeiros minutos de seu show, fazendo-os dançar e cantar suas músicas. Quem conseguiria não cantar “Você Tá Doida Pra Me Dá“ ou “Totonho Venha Salvar o Mundo”?

Encerrando o primeiro dia de shows do Mundo, Siba entrou no palco principal com um sotaque pernambucano carregado. O conhecido cantor participou de grupos como Mestre Ambrósio e Floresta do Samba, neste novo trabalho ele abandona a rabeca e traz as poesias de seu novo disco, Avante (2012), com guitarras bem trabalhadas, muito influenciadas pelo produtor Fernando Catatau (Cidadão Instigado).

Siba come­çou o show com fai­xas de Avante, seu novo disco, o mais pop do cantor, lan­çado em janeiro. Músicas como “Ariana” (essa ganhou até bis), “Preparando o Salto”, “Bravulha e Brilho” foram logo executadas. A platéia foi ao delírio com as músicas, cantando e dançando as faixas que se tornaram hits do álbum. Músicas como “Canoa Furada” e “Cantando Ciranda na Beira do Mar” não foram esquecidas no setlist do cantor.

Em seu novo disco repleto de referências cul­tu­rais da Zona da Mata, mas que ao mesmo tempo possui toques mais modernos, Siba conseguiu realizar um dos melhores trabalhos nacionais de 2012. O show dele com este novo disco foi um grande acerto na edição do festival Mundo deste ano.

Mixtape: Festival Mundo 2012

Foto de Ricardo Oliveira

Como tradicionalmente fazemos na semana do Mundo, selecionamos algumas músicas das bandas que fazem parte do line up do festival e reunimos tudo junto e misturado numa mixtape. Desta vez, entramos na onda da plataforma 8tracks e selecionamos apenas 8 músicas de bandas que destacamos na edição deste ano. Grupos como Siba (PE), Eddie (PE), Maglore (BA), Dead Fish (ES), Hazamat (PB), Totonho e Os Cabras (PB), Kalouv (PE), Chico Correa & Eletronic Band (PB), fazem parte desta compilação. O intuito  desta mixtape é apresentar para quem vai para o festival, bandas que não conhecem, ou apenas para aqueles que já conhecem poderem ir esquentando para o evento. Não há nenhum intuito comercial. Escute logo abaixo:

Baixe aqui

Primeiras atrações do festival mundo são divulgadas

E temos o prazer de anunciar aqui uma ótima notícia. Em sua oitava edição, o festival será realizado na Usina Cultural da Energisa com programação que vão de shows, a artes visuais, atividades de formação, feira cultural, cinema e artes cênicas.

Com foco na produção cultural independente em suas diversas áreas, o Festival Mundo confirma sua edição de 2012 no mês de novembro, entre os dias 01 e 11, tendo os dias 10 e 11 como principais, onde acontecerão shows e demais atividades paralelas. Todas as atividades serão realizadas na Usina Cultural Energisa, que abrigou o evento nos anos de 2009 e 2010.

Quatro artistas já garantiram seus shows para o Festival Mundo 2012, são eles: Siba (PE), Maglore (BA), Leptospirose (SP) e a paraibana Chico Corrêa e Eletrônic Band.

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Festival Mundo 2011 – Primeiro dia

Texto: Jéssica Figueiredo e Flávia Tabosa | Fotos: Rafael Passos

A sétima edição do Festival Mundo 2011 esteve repleta de surpresas, tanto boas quanto algumas bem incômodas. Neste ano, acontecendo no mês de dezembro (nas edições anteriores, novembro era o mês marcado pelo evento) o Festival transportou seu esqueleto para o Espaço Cultural – lugar de estrutura -pelo menos- dez vezes maior que a da Usina Cultural, onde aconteceram as edições anteriores do evento. Depois de presenciar o show de abertura no familiar Teatro de Arena, aqueles que chegaram ao Espaço Cultural no dia 10 ficaram, no mínimo, orgulhosos de ver a estrutura dos palcos principais, nomeados de Saturno e Nebulosa.

Maior estrutura, maior o evento. Com uma noite de abertura garantida pelas bandas Móveis Coloniais de Acaju, Os Reis da Cocada Preta e Camarones Orquestra Guitarrística, o Festival Mundo abriu portas para sete dias de oficinas e debates, mesas redondas e atividades culturais diversificadas.

Com uma preparação cultural dessas, era esperado que o fim de semana atraísse ao menos boa parte do público amante da (boa) música  e cultura independente da cidade. No entanto, logo no primeiro dia, sobrou espaço para o pouco público que passeava entre os estandes da feira multicultural, conferia as acrobacias dos esportes radicais, procurava transcedentalismo no Planetário e assistia aos shows. Mesmo com uma platéia esparsa e problemas, digamos, “políticos”, que surgiram no final do evento, o primeiro dia do Festival Mundo aconteceu de forma grandiosa.

Ainda às 16h da tarde, algumas pessoas que já circundavam por ali assistiam ao espetáculo técnico de luzes, que se não vinha dos raios de sol do fim de tarde, eram intensificadas pelos testes de iluminação do palco. As passagens de som haviam concluído, mas os preparativos continuavam. A atenção se prendia facilmente naquela estrutura, até que foi desviada para a imensa meia esfera.

O planetário começou a ecoar, eram os Matinais. Sua formação varia de acordo com a proposta musical que é pedida. Desta vez,  Vinícius e Luciana evocavam os anjos do céu com suas vozes, numa linearidade ininterrupta da harpa de Mônica e arranjos complementares de sanfona, piano e violão. As projeções acompanharam a música, criando uma valsa quase transcendental entre estrelas e acordes. Quando a hipnose estava quase completa, as estrelas se apagaram e os Matinais interromperam a viagem intergalática. Logo após, a Glue Trip veio com uma proposta mais pesada e experimental, com as projeções acompanhando os ritmos, mais uma vez.

Quem não curtiu a vibe alternativoexperimental que o planetário exalou, pôde conferir os caricatos atores do Clown Bar se apresentando na Praça do Povo. Numa pontualidade incrível, assim que as apresentações de aquecimento concluíram, foi anunciado o primeiro show da noite.

Brasis

Abrindo os shows principais do Festival em  Saturno, Brasis manteve sua proposta performática. Antes da entrada definitiva do vocalista Rafa Araújo no palco foram declamados alguns versos. As percussões fortes junto com o violão de Bruno retomaram a tradição tropicalista, seguindo exemplos de mestres como Ney Matogrosso e Tom Zé. A banda fez um show colorido e bonito, arrepiando quando malabares de fogo invadiram o espaço, encantando a pequena platéia com batidas que davam ênfase aos movimentos circulares do fogo, acompanhando as fitas que compunham o figurino do vocalista. Muito movimento caracterizou o show.

Não demorou muito tempo para que a segunda banda da noite já subisse no palco. Na verdade, a organização do Festival Mundo estava impecável – ao menos até aquela hora da noite: mal aconteceram imprevistos, shows não atrasaram, bandas tiveram seu espaço para tocar…

Chico Limeira

Assim, em horário certo, Chico Limeira subiu no palco com suas batidas suaves, iniciando uma apresentação dançante que explorou a maestria do músico não só na sua voz, mas em vários instrumentos: flauta, agogô, violino e violão. Apresentando um repertório variado, que contou com músicas inéditas e antigas, Limeira dançou e bailou em cima do palco, levando as boas energias para um público que não chegava. Foi um dos artistas mais citados por outras bandas para representar a personificação da diversidade musical no Festival Mundo.

Monstro

Abrindo o pacote “indie rock” de shows, perto das 19h, a banda Monstro subiu no palco. Fazendo um som estarrecedor e cheio de psicodelismos a lá Mars Volta e John Frusciante, o quarteto levou microfonias e distorções aos ouvidos do publico do Festival, atentos aos batuques do percussão aliados às guitarras sintetizadas que hora passeavam nos dedilhados delicados, hora acompanhava as contundentes e intensas linhas de baixo. A bonita apresentação pareceu abrir portas para a continuidade de bons shows que vieram a seguir.

Nuda

Aflorando suas influências logo no início do show, “ode aos ratos” de Chico Buarque começou a invadir o Espaço Cultural numa versão pesada, de vocais gritantes. A faixa está no novo álbum da banda, “AMARÉNENHUMA” que foi apresentado no show, formando o repertório de inéditas. Destacando o melhor da banda até então, este foi o último show da turnê 2011 dos recifenses, como declararam o vocalista e baixista, em entrevista ao AtividadeFM. A apresentação passou por vários momentos da banda e, consequentemente, por várias batidas, numa energia incrível entre os integrantes.

Planant

Tocando pela primeira vez em João Pessoa, os potiguar da Planant entraram no palco mostrando muita preparação. Com a proeza de tocar tão bem quanto em suas gravações, a banda aproveitou para divulgar seu novo EP homônimo, com apoio de uma pequena caravana de Natal, que tirou o público da distância-segura do palco e colocou todo mundo pra dançar na grade. Ressaltando a importância de festivais que trazem essa diversidade de batidas, eles fizeram parte do próprio comentário, mantendo suas influências de forma harmônica com o estilo próprio dos músicos.

Dalva Suada

Enérgicos e suprindo a grande vontade de tocar no Espaço Cultural, logo Dalva Suada subiu no Palco Nebulosa, e pareceu gostar dele. Contando com músicos excelentes e fazendo um som que bebe de propostas alternativas e batidas regionalistas, o show dos paraibanos chamou atenção pelos arranjos sofisticados nas músicas e performance dos integrantes, mas acabou demorando demais, e extrapolou o tempo marcado. As consequências vieram mais tarde.

Plástico Lunar

Consolidando-se em Aracaju por ter um som puro, sem influências regionalistas, o show da Plástico Lunar permanecia como uma incógnita. Alguns tinham expectativa de uma levada blues, outros achavam que a setlist viria com a vibe alternativa que inundou o Festival no sábado. Foi então que os os sergipanos apareceram com seu rock’n’roll cru,pesado, rápido e puro. Mostrando que o conceito principal da banda é fazer rock para se divertir e se libertar de rótulos musicais, a banda incrementou alguns elementos nessas batidas instigantes, neutralizando o som e divertindo o  pouco público que se instalava pelo Festival. Teclados, vocais e por vezes algumas guitarras leves compuseram a primeira apresentação da banda na cidade.

Cérebro Eletrônico

Antes de qualquer instrumento, o show começou com uma pequena explosão, levantando pequenos papéis prateados acima de Tatá Aeroplano (vocalista), parecendo a concretização das grandes idéias que saem de sua cabeça. A influência forte dos Mutantes marcou a primeira canção, casando harmonicamente com o clima intergalático do Festival. Os paulistas do Cérebro Eletrônico pareceram ser a banda que mais se adequou à proposta “astronômica” do Festival nesse ano – todas as canções tinham um “quê” de disco voador, universo e “Chapeleiros Loucos”.

Assim, quem estava pronto para ficar “totalmente abseduzido” com as canções do grupo pôde conferir uma apresentação dançante, que deu ainda mais força e “punch” às músicas do recém-lançado disco “Deus e O Diabo no Liquidificador”, incrementando a noite ainda com músicas destacadas dos seus três anos de carreira. Mas já nesse show, os problemas com horários começavam a surgir – e depois de uma pausa técnica, Tatá avisou que só podia tocar mais uma música. Assim, passando a sensação de um show curto e  que poderia ter durado mais tempo, Cérebro Eletrônico finalizou sua primeira passagem por João Pessoa com “Decência”, atualmente a mais famosinha deles e que marcava batidas explosivas semelhantes à do início da apresentação.

Zé Cafofinho

Os poucos que ainda sobravam no Espaço Cultural acreditavam que ia dar tempo. Que tudo ia sair nos conformes, como combinado e divulgado na programação – todos os shows deveriam acabar à meia noite. No entanto, quando Zé Cafofinho, penúltima atração, levou suas rabecadas eruditas ao Palco Saturno, a hora parecia ir de encontro a vontade do artista em fazer um show tranquilo, bem como a vontade do público em dançar e apreciar a apresentação com calma. Não foi o caso.

Zé Cafofinho iniciou um show incrível, com um som caricato e tipicamente nordestino. Carismático, sua voz e corpo se dirigiam frequentemente para o público, criando uma interação quase instantânea… Mas foi só o show começar a esquentar que os problemas “políticos” de horário e som começavam a aparecer. Parecendo “cortar a onda” dos corpos que começavam a se soltar e dançar no palco e na platéia, o show acabou antes do tempo programado. Mas as consequências mais sérias vieram logo depois. 

Quando anunciaram que os mato-grossenses da Macaco Bong viriam a João Pessoa tocar no Festival Mundo, não era surpresa que eles seriam o “headliner” da noite. A expectativa das centenas (que, para o tamanho da Praça do Povo no Espaço Cultural, pareciam dezenas) de pessoas no sábado era, passada todas as bandas interessantes, ver o principal show da noite. Tudo ia nos conformes, e nada parecia dar errado… Foi aí que um órgão governamental entrou no evento e interveio tudo.

Assim, a grande expectativa do público para ver os garotos da Macaco Bong foi cortada, quase literalmente, pela raíz. O aviso formal esclarece o ocorrido: “Por determinação da Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa (Semam) sob alegação de que a programação do Festival só poderia acontecer até as 23h, o show da banda Macaco Bong foi cancelado.”

O aviso chegou de última hora, mas não pareceu cortar de vez a instiga da banda em tocar ao menos uma música. Abusando de todas as tentativas possíveis de continuar o show, os caras da banda se dispuseram a tocar no stand da Musicultura, montado na feira multicultural bem longe do palco.

Do palco principal para um stand, o show começou, e a música “Borken Chocobard” foi executada. Mas não deu tempo nem de formar um setlist pela metade: antes mesmo que os rapazes desligassem os instrumentos, a polícia chegou junto, com os representantes da Seman, e impediu a todo custo que a apresentação acontecesse.

A organização do Festival está apurando os fatos e prometeu uma declaração oficial para esta segunda (12), que não saiu até então. Àqueles que foram ao show, certamente a organização passará os dados para manter todos informados.

Segundo as palavras de Ilson do Zefirina Bomba: “Se não podemos tocar num lugar chamado Espaço Cultural, onde mais iremos tocar?”

O rock não parou, bebê. O encerramento do Festival Mundo aconteceu no dia seguinte, com todos os shows, contratempos e gratificações dessa nova estrutura. Mas sem demais intervenções ou cancelamentos da Seman, pelo menos.

(“Ei, Seman, vai tomar no cu”)