Cobertura: Primeiro dia do Festival Mundo 2013

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O que chama atenção para quem chega cedo ao festival, que abriu as portas da Usina Cultural Energisa às 15 horas e as apresentações começaram as 16 horas, é o pouco público presente para ver as bandas. Cheguei atrasado no 1º dia do festival e peguei apenas as três últimas músicas da primeira atração, a banda paraibana Licenciosa, mas deu pra perceber que a maioria das pessoas que estavam ali vendo o show ou era da imprensa ou da produção do festival. No palco, do pouco que deu pra acompanhar a banda, pareceu que o Licenciosa faz um rock derivativo, que serve apenas para acompanhar a bebedeira de amigos em algum pub da cidade. A parte instrumental era eficiente dentro das suas limitações, mas o vocal pálido e letras sobre qualquer coisa não era tão convidativas.

Finda essa apresentação, foi hora de ir para outro palco, um pouco maior que o primeiro, para logo começar a segunda atração. A existência de dois palcos no festival cria um ótimo dinamismo e deixa um pequeno espaço tempo entre uma banda e outra. Assim, pouco após o Licenciosa, foi a vez do instrumental paraibano Procura-se Fabiano se apresentar. Formado por três Fabianos, o trio apóia no rock simples para passear em meios a grooves, jazz, experimentações, ritmos nordestinos, entre outros estilos distintos, que os fazem parecer um crossover entre Macaco Bong e o Conjunto Musical Do Amor. Tocando com competência para pouquíssimas pessoas, fato ironizado algumas vezes pela própria banda, deu as suas performances um clima de jam session e fugiam do básico guitarra-baixo-bateria ao incrementar pífano e efeitos vocais nas suas músicas.

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Na sequência, foi a vez do Medialunas mostrar um rock sem firulas, mas honesto. Formado por Andrio Maquenzi portando uma guitarra e Liege Milk na bateria, o duo gaúcho apresentou canções do seu primeiro disco, Intropologia, que, variando em letras cantadas em inglês, português e espanhol, fez uma apresentação baseada na mistura entre grunge, shoegaze e indie rock. Claramente empolgados por estarem tocando pela primeira vez no nordeste com a banda, os dois músicos se mostraram enérgicos no palco e passaram aos poucos a atrair o público que começava a aparecer um pouco mais no festival.

No show seguinte, dois problemas atrapalharam a banda de grindcore cearense Facada. O mais grave foi esforço do vocalista em tocar o baixo  com ombro deslocado durante o pouco tempo que a banda estava no palco e teve que interromper a apresentação, também prejudicada pelo microfone que falhava em alguns momentos e os vocais urrados da banda não eram mais percebidos. Do que deu pra acompanhar da banda no palco, foi um tanto monótono assistir as poucas variações entre uma música e outra, mesmo com o empenho dos músicos em seus respectivos instrumentos.

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Destaques na cena independente paraibana e com a responsabilidade de levar o nome da banda mais uma vez para o exterior quando irão se apresentar no festival americano South by Soutwest em 2014, o Zeferina Bomba subiu no palco para um público já um pouco maior em relação as apresentações anteriores e mostrou a sua junção entre o hardcore com elementos nordestinos dos Raimundos e o grunge do Nirvana e tocaram músicas de várias fases da banda em meios a problemas com o som. Não se percebe nada de muito especial na banda, mas com certeza um dos belos momentos do festival foi o espontâneo improviso que levou o baterista e o vocalista portando um violão estilizado e barulhento a descerem do palco e fazerem um som próximo do público presente.

Dando sequência a programação, o coletivo de rappers paraibanos subiu no palco e fizeram da sua apresentação o momento mais fraco do festival. Formado por DuMatu, Til Dal, Atômico MC, SH, Camila e Preto Alisson agregando hip hop com ragga. Com um som apático e muito poser, o coletivo não aproveita a força dos seus beats para engrenar os flows e mostrar uma postura que vão além dos cacoetes já cansativos do rap e do reggae. Esse foi o momento em que dar uma volta pela Usina Cultural para olhar o movimento e visitar as barracas de discos, camisas e mimos se fez oportuna.

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Após o coletivo de rappers, foi a vez da Troça Harmônica subir no palco e mostrar o seu pequeno, mas já conhecido repertório, tendo em vista o bom público que apareceu e a quantidade de pessoas que cantavam juntos as músicas. Com apenas seis meses de formação, o quarteto resvala em Clube da Esquina e Grupo Rumo, com uma junção de musicalidade e poesia, e conquista todos os órfãos do legado poético-sentimental dos Los Hermanos. Em todo minimalista, a Troça prima pela harmonia vocal dos seus quatro integrantes, assim com os seus empenhos nos instrumentos de cordas que cada um maneja, além dos efeitos sonoros extraídos de pequenos elementos de sopro e percussão que agregam mínimos, mas interessantes detalhes nas músicas. Mas a medida que o tempo avança, a apresentação se torna cansativa tanto quanto o do Facada e pelo mesmo motivo, apesar da diferença sonora abissal entre as duas bandas: as poucas variações entre as músicas, além de permanecer preso as influências e sem identidade definida. Entretanto, é bom manter-se atento a eles, pois parecem promissores.

Voltando ao campo do hip hop, Lurdez da Luz subiu no palco logo após a Troça Harmônica, fazendo parte do público dançar com batidas intensas e letras saídas da periferia paulistana e de cunho social. Apoiada nas músicas do seu único disco, que foi lançado em 2010, além de cantar músicas novas, Lurdez dialogava a todo o momento com o público que a respondia e pedia a todo o momento para aumentar o volume do som. Talvez com um repertório mais conhecido pelos os que assistiam a apresentação e uma presença de palco mais solta, o clima festivo do show teria sido ainda mais intenso.

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Fechando a noite,  Curumin mostrou pela primeira vez em João Pessoa toda inventividade de um dos maiores artistas da sua geração. Com um posicionamento de palco singular, onde o músico surge imponente no centro com a sua bateria acompanhado de um guitarrista e um baixista, com ambos comandando as programações, Curumin colocou o público pra dançar durante boa parte do apresentação com repertório que abrangia os seus dois últimos discos, Japan Pop Show, de 2008, e Arrocha, lançado no ano passado, que para surpresa do artista o público conhecia a maioria das músicas apresentadas. Compacto, Magrela Fever, Kyoto e Caixa Preta, músicas do primeiro disco, e Afoxoque, Selvage, Passarinho e Vestido de Prata, do último, foram alguns dos exemplos da mistura suingada de Curumin que passeia pelo rock, funk, samba, reggae, ritmos nordestinos, entre outros, que surgiram ainda mais fortes e intensas ao vivo.

Terminando próximo da meia noite, com o desfalque da banda Far From Alaska (veja o motivo aqui), o primeira dia do Festival Mundo se mostra  positivo na mistura de estilos e gêneros musicais, embora isso afugente algumas pessoas. Talvez com uma programação menor em relação ao número de atração (10 por dia), começando um pouco mais tarde (só começa a encher mesmo de pessoas no antepenúltimo show) seria possível que as primeiras apresentações fossem vistas por pessoas que não estivessem ligadas a imprensa ou produção do festival.

Fotos de divulgação retiradas da página do Facebook do Festival Mundo. Créditos a Thercles Silva, Thiago Nozi e Rafael Mendes.

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