Lou Reed e seu legado para o rock

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Pode-se dizer que 27 de outubro de 2013 é o dia em que o Rock mais uma vez morreu. Ou ao menos uma das suas várias facetas. Sem as obras de Lou Reed, seja com o Velvet Underground ou em carreira solo, é difícil imaginar os rumos que teriam o punk ’77, o noise, o mítico no-wave, o pós-punk, o rock alternativo do anos 90 e o Indie Rock que surgiu no inicio dos anos 2000 quando The Strokes lançou o seu Is This It?, por exemplo.

Ao lado de John Cale, Sterling Morrison e Moe Tucker, Lou Reed  fundou o Velvet Underground nas entranhas de Nova York e logo no primeiro disco lançaram o que viria a ser uma das obras mais influentes não só da música, como também de toda a  cultura pop. Apadrinhado por Andy Warhol e com participação da lendária cantora Nico, o “disco da banana” surgiu como um contraponto ao otimismo hippie da época e trouxe o niilismo para o Rock,  assim como o minimalismo, a combinação roupa de couro preto e óculos escuros e a poesia das ruas, tirando das sarjetas e colocando nas letras de suas músicas os escorias da cidade novaiorquina. No disco seguinte, sem Andy e Nico, a banda aumentou ainda mais a carga de ruídos e experimentações ao explorar novas possibilidades sonoras, como na faixa “The Gift”, uma jazz poetry onde jazz que deveria acompanhar a narração é substituída por uma combinação de guitarra-baixo-bateria barulhenta. Posteriormente, com a saída do guitarrista John Cale, um dos líderes da banda, o Velvet Underground vira praticamente a banda solo de Lou Reed,  perdendo as experimentações, mas ascendendo nas cargas de lirismo e poesia das músicas e influindo ainda mais no minimalismo.

Após o fim da banda, que lançou dois discos sem Cale, Lou Reed inicia a carreira solo com um disco trôpego que contava com sobras do Velvet Underground, mas logo recuperaria a credibilidade ao lançar Transformer com ajuda de David Bowie. A partir daí a sua carreira segue tão cultuada e influenciadora quanto a banda que ele fazia parte e que também não deve no que se refere a ousadia e invenção, indo além da sonoridade velvetundergroundiana e explorando e experimentando gêneros e estilos como o rock orquestral (em Berlin), o noise extremo (de Metal Machine Music) e, mais recentemente, e na junção entre o spoken word e o  metal (no controverso Lulu).

Com uma extensa discografia, Lou Reed deixa aos 71 anos um legado que vai além do que ele produziu, pois é possível escutar nas ruidosas guitarras de Jesus and Mary Chain e Sonic Youth, na cadência minimal do Television e Joy Division, na atitude blasé de bandas como The Strokes e Arctic Monkeys, entre outros incontáveis exemplos, as lições presentes em discos como Velvet & Nico, White Light/ White Heat, Transformer, Berlin e New York. Assim, para cada banda que abraçar o underground, trazer um olhar lascivo e poético das ruas ou do cotidiano, uma postura cool e displicente para aquilo que a rodeia e guitarras com ruídos minimalistas mas versáteis pode ter a certeza que é ali que Lou Reed sempre será encontrado.

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