O pastiche psicodélico do MGMT

MGMT-MGMT-2013

Quando o MGMT se apresentou no programa Late Night with Jimmy Fallon há dois anos atrás, durante uma semana dedicada ao Pink Floyd, e fez um releitura eficiente de Lucifer Sam, uma das músicas do clássico The Piper at the Gates of Daw, ninguém poderia supor que estaria ali a essência que iria guiar a banda no seu terceiro disco. Pois, é na fase psicodélica do Pink Floyd, com a banda sendo liderada por Syd Barret, que Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser parecem buscar inspiração para comporem o sucessor de Congratulations, assim como o primeiro disco, que também traziam esses elementos, mas não de forma tão explicita como agora, e abre caminho para a dupla ir além ao emular não apenas as obras psicodélicas dos anos sessenta e setenta, como também  as recentes bandas e artistas que atualmente flertam com o rock lisérgico de 30/40 anos atrás.

Com um disco de estreia, o Oracular Spetacular, que fez o nome da banda e a transformou em hype, para o bem ou para o mal, com um punhado de músicas radiofônicas que trafegavam entre a psicodelia dos anos 60 e o synthpop dos anos 80, o MGMT subverteu as expectativas e entregou na segunda obra algo que, longe de apresentar qualquer aceno daquilo que apresentarem antes e o tornaram grandes, soa menor e mais sincero que o anterior por  limar a imponência das canções e buscar soluções que fogem do fácil apelo pop para realizar experimentações sonoras, substituindo o synthpop pelo surf music e o indie rock na junção com a psicodelia, brincando com as referencias, criando algo particular para a banda e como novos ares para explorar.

Agora, com o autointitulado disco, o MGMT dá uma nova guinada na sua sonoridade, ainda que guarde resquícios de Congratulations, e abraça de vez a sua veia psicodélica,  que anteriormente pontuava de forma diluída as músicas da banda. Mas se tal busca pela produção lisérgica poderia render um trabalho inventivo que se apropriaria das inúmeras possibilidades dos elementos psicodélicos, o duo recorre ao puro pastiche sonoro para criar as bases presentes da sua nova obra, que em alguns momentos pode funcionar/enganar, mas em boa parte soa cansativo e desinteressante.

Justamente no momento em que o MGMT emula explicitamente Syd Barret e o seu Pink Floyd, além de trazer ecos de Love, Velvet Underground, Byrds e entre outras bandas,  as cincos primeiras faixas que o disco parece funcionar. Abrindo com “Aliens Days”, uma balada lisérgica que se inicia com uma voz infantil e aos poucos vai sendo dominada por uma sonoridade suja, mas como doce melodia, o disco segue com “Cool Song nº 2”, “Mystery Disease”, “Introspection” e “Your Life is a Lie”, construídas da mesma forma como a primeira música, apresentando melodias ruidosas, vocais etéreos, estruturas musicais com andamento inusitado, detalhes sonoros excêntricos e curiosos e letras que rementem a cenários lúdicos, e tal como The Piper at the Gates of Daw, mesmo com as explorações sonoras, o duo consegue produzir algo acessível, mesmo que exige um esforço do ouvinte.

2013Albumsof201326.MGMTAWH01Contudo, o que se vê a partir da sexta música é o que faz o disco ser desinteressante, onde, curiosamente, as predominâncias de elementos eletrônicos se fazem presente, ao invés do uso da tríade guitarra-baixo-bateria. A começar por “A Good Sadness”, que remete diretamente a combinação entre psicodelia e música eletrônica proporcionada pelo Panda Bear, um dos cabeças Animal Collective, mas sem a mesma inventividade no uso de samples e colagens sonoras, passado por Plenty of Girls in the Sea, com o espírito solar dos Beach Boys, mas sem a mesma vivacidade, o terceiro disco do MGMT apresenta até então um inédita inércia criativa da banda, remoendo as referências sem nada a acrescentar e exibindo uma preguiça na condução das músicas.

Os experimentalismos psicodélicos por vezes se mostraram datados mesmo quando foram produzidas na época em que se lisergia na música originou, por se firmar em uma época especifica. Assim, é sempre prazeroso quando bandas como Flaming Lips, Animal Collective, Tame Impala, pra ficar nesses notórios exemplos, apropriam das possibilidades oferecidas pelo uso da psicodélica e criam obras autorais que tem o elemento lisérgico não a emulação de uma conceito, mas a base de um universo sonora ainda a ser explorado. O que encontramos no disco do MGMT é apenas uma cópia, uma distração sonora que a priori parece interessar, mas que no seu desenrolar questionamos a nós mesmos o por que de não estarmos perdendo tempo com os originais.

Nota: 5

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