Entrevista: Rusland Fernandes, Coldsleepyhead

Rusland Fernandes, é o idealizador da banda/projeto Coldsleepyhead, também dono de um dos melhores lançamentos do ano na Paraíba, o EP More Conscientious Behavior. O disco é lo-fi e possui apenas 5 faixas, sendo duas instrumentais e três cantadas. MCB foi lançado de forma tímida no mês de janeiro deste ano pelo selo finlandês Siko Records. A banda fez apenas um show em toda sua carreia, mas já se mostra ser muito promissora em seu primeiro lançamento. Nós conversamos com Rusland um pouco de como se iniciou o projeto, da gravação em sua própria residência, e ainda dos próximos passos da banda. Confira:

Como foi o começo do Coldsleepyhead?

Acho que o projeto começou a ser idealizado em 2010/11, minha época de ensino médio e tudo mais. Por outro lado, tudo o que se imaginava nesse período ainda era somente ideias e músicas inacabadas; mas, mesmo assim, eu acho que a origem do “Coldsleepyhead” deve bastante a esse período.

Qual foi a época de gravação das músicas do More Conscientious Behavior?

Foi no período de greve dos professores das UFs no ano passado (risos). Eu estava com um tempo livre a mais, já que as aulas e provas não tomavam mais muito meu tempo, e comecei a gravar muita coisa no meu quarto. Daí, com o fim da greve, eu garimpei o que parecia mais coerente para formar um EP e fiz o “More Conscientious Behavior”.

Você gravou tudo sozinho em casa? Como foi este processo?

Sim, foi tudo gravado no meu quarto e em um corredor. O processo foi fácil e consistia basicamente na produção das músicas com microfones baratos, um amp pequeno, drum machine, controlador, etc. A qualidade não é uma grande coisa, mas a ideia era meio essa mesmo, afinal é a minha primeira gravação.

Vi no facebook que vocês fazem parte do selo finlandês Siko Records. Você poderia falar um pouco de como funciona o selo?

A Siko Records é um selo que se baseia essencialmente em projetos e bandas de produção caseira que vão desde o avant-garde até indie pop. Além disso, a Siko conta com lançamentos físicos em CD-R e raramente em vinil. Aliás, o selo é dirigido por um artista de Helsinki que faz uns desenhos e projetos de design sensacionais. (Site dele: http://www.pencilteeth.com/)

Os discos do grupo foram distribuídos na Europa através do selo?

Provavelmente alguns estão ainda rolando lá por Helsinki (risos), mas creio que só por lá mesmo. Enfim, acho que já é uma grande coisa.

No som de vocês percebi uma semelhança com o som dos americanos do Deerhunter. É uma referência?

Não diretamente, mas tá dentro do espectro das referências principais. Acho que Lotus Plaza – projeto-solo do guitarrista do Deerhunter – tá mais diretamente ligado.

Você poderia falar mais das referências do grupo?

As minhas influências foram fundamentalmente a cena do noise pop atual, além de umas bandas de shoegaze e de twee também (apesar de o EP não ter nada de twee). Alguns nomes são: Big Troubles, Colleen Green, Wavves, Cloud Nothing, e Seapony. Acho ainda necessário colocar como referência o fato que Zefirina Bomba e Libertines + Strokes foram meio que essenciais para eu comprar minha primeira guitarra elétrica em idos de agosto de 2008.

Existem grupos nacionais que você acha que possui uma similaridade com o som de vocês?

Sim, tem bastante. No nordeste mesmo tem Katty Winne, de Alagoas. Mas também rola uma cena lo-fi bem interessante lá no RJ com Lê Almeida. Além do mais, tem a Top Suprise e Medialunas.

Vi que vocês já realizaram um show no Espaço Mundo. (Foi o primeiro?) Como foi a sensação de tocar as músicas pro público?

Sim! Foi no projeto Demotape do Coletivo Mundo. Foi o primeiro show, e intrínseco para a formação da banda para tocar ao vivo. É sempre muito mais legal tocar ao vivo, digo, tudo é melhor, o som é mais alto do que qualquer outro lugar, e também há pessoas vendo. A sensação foi muito boa.

Você já planeja gravar um disco completo ou EP em estúdio?

Eu planejo gravar algo com uma qualidade mais decente, mas ainda não sei se vai ser em um estúdio ou na minha casa mesmo. Eu ainda quero gravar pelo menos uma música minha em estúdio para ter noção de como funcionam as coisas; mas acho que a ideia para o futuro é gravar mais um EP.

Que bandas você poderia recomendar para os leitores do Atividade FM?

Tem bastante coisa boa rolando neste ano. Deem uma olhada no álbum recente de Mikal Cronin. Além disso, eu recomendo o catálogo da Sinewave, também recomendo Colleen Green, Veronica Falls, Chinawoman, Katty Winne e o álbum recente de Camera Obscura. Já para quem curte hardcore, confiram o som da “SÍNDROME HC”, que é a banda que me acompanha tocando ao vivo. E, para quem nunca escutou Mellotrons – uma banda bem antiga de shoegaze do Recife –, escutem.

Escute e baixe:

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