Soundtrack do dia: The Great Gatsby

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Inaugurando nova seção no blog, traremos a partir de hoje, e vez em sempre, nossas impressões sobre trilhas (originais ou não) de filmes, que muitas vezes rendem discos de cabeceira de muita gente. Reza a lenda que na casa de cada um aqui há pelo menos uma cópia da trilha de “O Guarda-Costas”, ou de “Titanic”…Não garantimos resenha deles, já que ninguém aguenta mais “I will always love you” e “My heart Will Go on”, mas nos esforçaremos para fazer um apanhado de trilhas revelantes, representantes de filmes queridos e compostas por artistas de que gostamos.

A primeira escolhida por nós foi a trilha do mais recente filme do cineasta australiano Baz Luhrmann, “O Grande Gatsby”, mais um épico moderno do diretor, que conta com a participação de  muita gente conhecida: de Florence (da Machine) a The XX, de Beyonce a Jack White, de Fergie a Gotye, muitos com músicas novas feitas especialmente para o filme. Tentou-se condensar a modernidade da música contemporânea com a aura de clássico presente na adaptação da obra de F. Scott Fitzgerald. Objetivo alcançado com sucesso.

Junto ao diretor, e por trás dessa reunião de luxo, está um senhor chamado Jay-Z, que ajudou a colidir com eficiência dois mundos aparentemente distantes: jazz e hip hop. Não há canções da época do filme, mas sim versões atuais com roupagem atual, e com adereços que lembram os anos 20, seja por meio de inserções de trechos, samplers ou ritmos que lembrem aquela década. O filme, que trata de uma história de amor e obsessão é bem representado por suas músicas, que evocam os dilemas da história, e sugerem suas representações visuais, tão bem exploradas na tela por Luhrmann e sua direção de arte.

É neste sentido que vemos Lana Del Rey, e um charme que ecoa no tom e nas imagens. Com “Young and Beautiful“, uma balada de melancolia inspirada (o que torna a participação de Lana mais do que coerente), e muito presente no filme, transportam-se os sentimentos e conflitos emocionais de personagens importantes. Beyonce e Andre 3000, por sua vez, foram responsáveis pelas talvez primeiras tremidas de Amy Winehouse no túmulo. “Back to Black” ganhou um versão fúnebre-sensual, feita pra ser diferente no sentido estranho de existir, e assusta não pela audácia, mas por que a lembrança ainda recente de Amy ecoa com vivacidade em nossos ouvidos, e, diante desse cover, realça-se o contraste e, assim, força-se demais a simpatia.

Emile Sandé, competente, junta-se à Bryan Ferry Orchestra, para recriar “Crazy in Love” (de Beyonce), com uma pegada típica do jazz dos anos 20. O resultado foi satisfatório e de certa forma exprime a intenção maior da trilha, qual seja, a de unir presente e passado de forma coerente, talvez impensável, e, assim, surpreendente. Florence Welch, por sua vez, aparece com uma música poderosa, “Over the Love“, esnobando com grande extensão vocal e muita emoção, transportando a solidão presente em uma bela cena do filme (e ainda conta com uma versão adicional em dubstep de luxo pelo maravilhoso Aaron Jerome, o rosto e a mente por trás do SBTRKT). Até Fergie, a mulher que canta “My Humps” sem ironia, surpreende com “A little party never killed nobody“, uma canção dançante sem ser cafona, e convence ser tão boa cantora quanto bem preenche calças jeans, num resultado divertido e competente para a proposta do filme.

Por fim, cabe ressaltar as participações do próprio Jay-Z, que, junto a Kanye West e Frack Ocean, em “No Church in the Wild“, traz o melhor do hip hop atual para uma obra que celebra tempos clássicos, e comunga com eles uma espécie de marginalidade que à época o jazz também enfrentava. Jack White e “Love is Blindness” (cover de U2) acrescenta à lista uma bonita canção carregada de gritos e guitarras, num entusiasmo típico de quem se apaixona e sofre. The XX, o duo mais querido da comunidade indie,   colabora com seu charmoso intimismo por meio de “Together“, conferindo um ar de placidez e mistério. As contribuições não param: há de se citar as participações de Gotye e Sia, que, com “Heart is a mess” e “Kill and Run“, entoam duas baladas que em nada devem ao forte conjunto em que estão inseridas.

Assim, não há outra impressão para essa trilha, que não a de eficiência. Desde a proposta de promover encontros sonoros, artísticos e de épocas distintas, até a coerência com que faz rimar música e cena visual, tudo isso com o cuidado de escolher artistas que bem representem os estilos dispostos, o trabalho faz esbanjar critério e profissionalismo. Como se não bastasse contar com canções por si só belas e fortes, o conjunto monta um time ainda mais poderoso, e dignifica o filme de modo tal que ilustra com estética e significância o mundo alegórico, exagerado e bem encaixado proposto por Baz Luhrmann.

Nota: 8,0

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