Os melhores álbuns internacionais de 2013 até agora!

Arte gráfica: Filipe Marcus

Arte gráfica: Filipe Marcus

Já chegou a metade de ano e antecipadamente alguns redatores do Atividade FM se inspiraram no clássico filme High Fidelity, isso porque, aos trancos e barrancos, montamos uma lista top 5 dos melhores discos do ano até o presente momento. Pois é, logo neste ótimo começo de 2013, com diversos lançamentos de nível super satisfatório, de dizer que se o ano acabasse agora, ele teria acabado muito bem, nos vemos na situação de escolher apenas cinco discos cada um. Quase um absurdo! Mas tudo bem, no final do ano fazemos aquele habitual listão para compensar.

A lista tem o intuito de indicar para aqueles que estão por fora do mundo musical os melhores lançamentos de 2013, pra correr, baixar e colocá-los no seu player favorito.  Alguns sites gringos como o do Spin “The 40 Best Albums of 2013 So Far” e  do Stereogum “Top 25 Albums Of 2013 So Far” produziram as suas listas já no começo de junho. Então confere logo a seguir o que os redatores do blog escolheram:

Felipe Matheus Lima

1. Vampire Weekend – “Modern Vampires Of The City”

Para encabeçar a minha lista escolhi este disco, isso porque, mesmo após um bom tempo sem novidades, o Vampire Weekend retornou de forma triunfal com seu Modern Vampires Of The City. O disco foi moldado por quase 3 anos pela banda e a demora foi justificada pelo motivo que o grupo gostaria de deixar as músicas exatamente da forma que eles buscavam soar. Mas, acontece que esta demora toda fez bem ao grupo: em seu retorno eles conseguiram um ótimo feito, o de não decepcionar aqueles que estavam com grandes expectativas. O disco repleto de ótimas canções do começo ao fim sem ao menos 30 segundos frustrantes.

2. Unknown Mortal Orchestra – “II”

Após o lançamento de seu auto-intitulado primeiro disco, o Unkown Mortal Orchestra, foi um grupo bem sucedido, conseguiu respeito da crítica especializada e espaço em diversos festivais em todo o mundo. Mas, se eles conquistaram isso tudo com o primeiro disco, com este segundo conseguiram ir bem além. O UMO cresceu e amadureceu ainda mais a sua sonoridade, se especializaram em riffs de guitarra e timbres seiscentista com uma roupagem bem moderna.

3. Foxygen –  “We Are The Ambassadors…”

We Are The 21st Century… foi lançado pelo selo novato Jagjaguwar, com produção de Richard Swift. De cara conseguiu emplacar com “Shuggie”, primeiro single do disco. De fato é muito simples perceber as referências utilizadas pelo Foxygen em cada música do disco, encontramos nele um pouco de Velvet Underground, The Beatles, Rolling Stone, Bob Dylan e tudo de bom dos anos 60. Mas, claro o grupo não fez cópia alguma, apenas se utilizou bem dos timbres, principalmente de parafernalha de equipamentos dos 60 e isso com bastante criatividade instrumental se cruzou com perfeição a letras de um coração partido.

4. Portugal. The Man – “Evil Friends”

O grupo americano Portugal. The Man lançou no mês de junho seu oitavo disco de inéditas “Evil Friends”. O disco tem produção de ninguém menos que o Danger Mouse, famoso produtor que fez o The Black Keys ser conhecido como é hoje mundialmente. O Portugal consegue neste trabalho soar o mais pop possível, abandonando quase que completamente aquela sua antiga sonoridade mais alternativa, sendo assim, neste trabalho eles conseguem sem simples e lançam disco repleto de hits em potencial.

5. Deerhunter – “Monomania”

Existe quase um abismo diferencial entre as sonoridade encontradas nos discos Microclaste (2008) e o novo Monomania. Cito Microcastle, pois é com certeza o trabalho de maior repercussão do grupo famoso pelo som shoegase/alternativo  O Deerhunter passou por um processo de simplificação de seu som, soando um rock alternativo com letras pop, com algo do rock de garagem. O grupo conseguiu o grande feito de mesmo com a mudança agradar seus fãs e a crítica até então.

Pedro Ruiz

1. Wavves – Afraid of Heights

Com um instrumental de fato lo-fi, distorcido em várias canções, o Wavves vêm com uma produção típica de artistas que têm no sangue as influências “Do it yourself”.  O Afraid Of Heights vêm com faixas agitadas, guitarras com riffs simples, bem típicos do punk californiano. O que realmente marca o disco é de fato, a simplicidade cativante, que mostra que a loucura da música barulhenta da costa oeste continua conquistando massivamente um público movido pelos power chords envenenados do noise rock.

 

2. Sin Fang – Flowers

Já tendo feitos trabalhos tanto em sua banda Seabear como em sua carreira solo (você viu no Você precisa conhecer), Sin Fang, 2 anos depois de seu último lançamento, mostrou um albúm muito bem trabalhado nas melodias. O disco Flowers, mostra uma vibe relaxante, tanto nos arranjos quanto na suavidade da voz do Sindri, fazendo das faixas um chill out total. Além disso, o uso experimental de recursos eletrônicos foi essencial, pois assim deixou as canções mais ricas.

3. Foals – Holy Fire

O disco Holy Fire dos ingleses do Foals veio à tona em fevereiro desse ano, sendo que os single e “Inhaler” foi liberado antes ao público para dar aquela ansiedade aos fãs para o novo trabalho dos caras. Esse álbum apresentou a mesma tendência indie rock, que faz qualquer um que escuta dançar. De fato, é impossível ficar parado ao ouvir faixas como “My Number”. Outras mais relaxantes como “Moon”, fazem desse disco um dos melhores produzidos até agora neste primeiro semestre.

4. Bad Religion – True North

Os mais que experientes do Bad Religion, lançaram o sucessor do The Dissent of Man no início desse ano, o álbum True North, dando continuidade a maneira clássica de composição do punk rock e hardcore melódico vindos do início dos anos 80.  De fato não é perceptível mudanças da maneira de fazer música na história da banda, sempre com a presença guitarras frenéticas, bateria veloz, e claro, suas letras politizadas, com críticas embutidas. Enfim, os caras não fizeram diferente nesse lançamento, mantendo suas ideologias, contra a forte onda comercial dos anos 2000, e assim agradando os apreciadores do bom punk rock.

5. Queens of the Stone Age – …Like Clockwork

Finalmente a longa espera acabou para os fãs da banda Queens of the Stone Age, 2013 foi um ano de renovação, devido a sonoridade apresentada no novo disco …Like Clockwork. Do álbum Era Vulgaris até esse lançamento foram 6 anos de espera por algo novo, mas essa espera valeu a pena. Guitarras com riffs sólidos e substanciais, bem característicos do bom stoner rock vieram de sobra nesse disco, como podemos ver no single “My God Is The Sun”, música hipnotizante, que não sai da cabeça de ninguém desde a primeira vez escutada.

Higgo Braga

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1. Kanye West – Yeezus 

Kanye West não economiza raiva. Eis um álbum cheio de vigor, urgência e celeridade, e o artista utiliza de toda sua revoltosa abordagem para criar um disco sem rumo contra o que lhe desagrada. Impressiona por ser fruto apenas de escolhas corretas. De produção de altíssima qualidade, as canções, agressivamente entoadas pelo rapper, têm o poder de perturbar, de inquietar, são sinuosas, são gostosamente imprevisíveis (com direito a samplers de gosto excepcional). Elas convencem, não são gritos vazios contra racistas, contra o sistema, contra ex-romances, contra o mercado musical. São resultados de um trabalho tipicamente conceitual, congruente. Yeezus merece o destaque por ser poderoso, repleto de conteúdo originado de uma ira convincente, justificada. E transformar insatisfação de modo tão incisivo, sem soar didático e simplista, parece ser algo que kanye West nasceu pra fazer.

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2. James Blake – Overgrown

É preciso talento e ousadia para lidar com a dificuldade de se estabelecer como artista, já com tão pouca idade. James Blake fez isso sem se utilizar do caminho mais fácil. Overgrown é um reforço da beleza anteriormente ovacionada em seu primeiro disco. O dom de surpreender utilizando ferramentas minimalistas, de estabelecer climas coerentes e orgânicos, o de instigar, além da audição, a imaginação, são pontos por si só suficientes para elevar qualquer trabalho. Excelente álbum, um dos insuperáveis do ano.

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3. The National – Trouble Will Find Me

Por não saber deslizar, por não pisar no desconhecido, por cantar dor com verdade, por provocar com melodrama, por extrair melodia do desespero, por reforçar poesia no que há de genuinamente triste, por não se render ao exagero, por não ceder à tentação lucrativa de subir o tom, por fazer música com substância e elegância. Por isso, e muito mais, The National e Trouble Will Find Me merecem um lugar no pódio. Este sexto disco de uma banda de carreira exemplar é um dos representantes do que há de mais belo e significativo na música de nossos tempos.

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4. Vampire Weekend – Vampires Of The City

Eis uma banda que se utiliza da inteligência para divertir e fazer arte, capaz de construir com humor discursos e reflexões essencialmente humanas. Modern Vampires Of The City esbanja simpatia e esforço intelectual: alia a naturalidade de bons músicos à qualidade conceitual de ótimos letristas. São poucos que conseguem se dispor a abordar temas complexos e subjetivos de forma coesa, direta, com consistência e propriedade. Tempo, envelhecimento, futuro são objetos de um quase-estudo e observação de um grupo de jovens que sabem muito bem o que fazem e dizem. Sorte nossa.

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5. Charlie XCX – True Romance

A surpresa dessa lista é exatamente isso: uma grande surpresa. Talvez a maior superação de expectativa do ano. Charli XCX, cantora britânica novissima (apenas 21 anos) lança seu primeiro disco, com promessa de apelo pop. Até então, nenhuma novidade. Mas a garota possui daquelas ousadias no ponto, e passeia por tudo que já vimos de um jeito muito pessoal e criativo. Suas músicas não são produtos inacabados e supérfluos. True Romance apresenta uma série de canções dançantes, fáceis, de pegada essencialmente pop, mas que não se limitam a isso. Soam multidimensionais, e não meras desculpas para pista, de não fazer feio a muita gente entendida no assunto. (vide Cindy Lauper, Madonna, Robyn). São muito bem trabalhadas: é possível perceber o esforço que redunda em muitas camadas de efeitos e sintetizadores, dando profundidade ao que costuma ser realizado com muita  superficialidade aí afora. Merece a lembrança, por ser infinitamente melhor que seus equivalentes de prateleira.

Menções Honrosas:

Justin Timberlake – “The 20/20 Experience”;
Daft Punk – “Random Acces Memories”;
Shanon And The Clams – “Dreams In The Rat House”;
Disclosure – “Settle”;
David Bowie – “The Next Day”;
Kurt Vile – “Walking On A Pretty Daze”;
Beady Eye – “Be”;
Phosphorescent – “Muchacho”;
Primal Scream – “More Light”;
Savages – “Silence Yourself”;

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3 respostas em “Os melhores álbuns internacionais de 2013 até agora!

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