Entrevista: Mathias de Lima, Last Starfighters

Last Starfighters é uma banda originária da nova safra de bandas indies de Natal (RN). Lançaram o seu primeiro trabalho no mesmo mês que Talma & Gadelha, Camarones Orquestra Guitarrística Kung Fu Johnny lançaram discos, participando desta leva de lançamentos promovido pelo selo DoSol. O Last Starfighters é uma banda de rock alternativo formada no final do ano passado na capital potiguar. Na sua formação estão Mathias “Matt” de Lima (Voz/Synth), Nicolas de Lima (Guitarra), Diogo “Piu” da Costa (Guitarra), André Castiel (Baixo) e Alessandro Natalini (Bateria). May Silence Never Find Us é o primeiro EP lançado pela banda e já pode ser baixado neste link.

O disco May Silence Never Find Us foi mixado por Jesse Gander, produtor canadense responsável pela produção e mixagem de um dos melhores discos de 2012,  o aclamado Celebration Rock do Japandroids, o trabalho foi realizado no Hive Creative Labs em Vancouver, Canadá.

O EP foi inteiramente gravado no Estúdio DoSol e a produção ficou por conta de Henrique Geladeira (Calistoga, Talma & Gadelha), com a exceção de Space Runaway, produzida por Dante Augusto (Calistoga, The Sinks, Camarones Orquestra Guitarristica) e mixada por Chuck Hipolitho (Vespas Mandarinas/VJ da MTV) no Costella Studio. A parte artística foi realizada por Filipe Marcus, que além de dar vida à capa do May Silence Never Find Us, criou artes para cada uma das faixas da banda, inclusive pro single.

O trabalho chamou tanto a nossa atenção que o grupo já foi convidado para fazer parte da programação do Indie Sessions Music Festival, festival produzido por este site que ganha sua primeira edição no mês de setembro. Então convidamos o Mathias de Lima, vocalista e líder do grupo, para falar um pouco do surgimento da banda e os planos do grupo para divulgar o primeiro trabalho.

Como foi o início do grupo e o que influenciou ou motivou vocês?

Formamos a banda em Outubro de 2012 com uma proposta mais direta e inteligível, tínhamos faixas suficientes para lançar álbuns na velocidade do Ty Segall, mas acabamos entrando num processo – quase que glacial – de reconstrução de identidade enquanto à nossa sonoridade. No começo fomos bastante influenciados por lançamentos menos complexos e conceituais, que podemos resumir na explosão atual de bandas de Lo-fi/Noise. Gravar caseiramente parecia ser o caminho mais despretensioso e mais coerente para nós, mas acabou se revelando exatamente o contrário. A partir disso decidimos investir de maneira mais consistente – em todos os sentidos.

O EP May Silence Never Find Us foi divulgado em vários sites reconhecidos da música indie brasileira. Como vocês estão vendo a repercussão do mesmo?

Sem dúvidas foi muito positiva. O nosso primeiro single (Space Runaway) já tinha nos dado uma importante noção enquanto à repercussão que o EP teria tido; o que nos deixou mais confortáveis na procura de opções mais profissionais para o May Silence Never Find Us. As três faixas do EP não são tão digeríveis quanto o single, os próprios processos de composição, gravação e mixagem foram mais experimentais e orgânicos e, consequentemente, menos acessíveis, o que nos deixou um pouco na expectativa enquanto à aceitação final.

Existe alguma música favorita por você no EP?

Cada faixa representa uma determinada época do longo processo de (re)composição da banda, então é muito complicado destacar uma acima das outras. Everything That Rises Must Descend, a primeira faixa do EP é provavelmente a que tem um valor “diferente” pra mim; reescrevi o texto dela um dia antes da gravação – no avião – voltando de uma viagem kerouaquiana no Sudeste. Perdemos um tempo readaptando-a no estúdio, mas definitivamente valeu a pena, entre as faixas do EP, é a que eu consigo sentir mais atualmente.

Alguma faixa deve ganhar futuramente um clipe?

Recentemente entramos em contato com algumas produtoras locais, assim como também com algumas pessoas que acabaram se interessando pelo projeto audiovisual. É algo que realmente gostaríamos de realizar e acompanhar de perto; todos na banda somos cinéfilos, eu e Pedro escrevemos roteiros, o Diogo curte fotografia, o próprio nome do projeto foi tirado de um Sci-fi dos anos 80’, então é uma questão que prometemos tratar com muita atenção.

Quais são os planos do grupo para o resto deste ano?

O principal é tocar. Tocar para conhecer lugares novos, gente nova e, principalmente, para divulgar e continuar desenvolvendo nosso trabalho. Todo o processo que veio depois da gravação – apesar de bem recompensado – foi esgotante e, definitivamente, chegou a hora de aproveitarmos um pouco o fruto do nosso trabalho. O provérbio inglês “All work and no play makes Jack a Dull Boy” nunca fez tanto sentido para nós. Além disso, temos alguns projetos mais sérios, principalmente um para o fim do ano, mas preferimos nos concentrar no agora, por enquanto.

O que geralmente influência as composições de vocês?

Ultimamente temos nos reunido bastante para dar vida ao novo processo de composição, mas as quatro faixas do May Silence Never Find Us saíram daqui de casa. Um dos guitarristas, o Nicolas, é meu irmão, a gente mora junto e começou a trabalhar nas primeiras músicas muito antes de cogitar ter um projeto sério. É um processo muito mais dinâmico e efervescente e que consegue coexistir facilmente com as ideias do resto da banda. Não existe ego algum entre nós, principalmente pelo processo de formação da banda ter sido diferente.

Vocês estão confirmados no Indie Sessions Music Festival. O que o público de João Pessoa pode esperar do show?

É uma cidade que curtimos muito e o Indie Sessions representa uma oportunidade foda de tocarmos pela primeira vez por lá! Prometemos um show enérgico e lisérgico, aconselho ir de bike, mas o importante mesmo é colar no festival!

Que tipo de bandas você está escutando ultimamente e gostaria de divulgar para os leitores do Atividade FM?

Entre os lançamentos de 2013 – além das grandes voltas: Boards of Canada, Daft Punk e My Bloody Valentine, o ano está repleto de discos interessantes, como o do Foxygen, Iceage, Disclosure, Mikal Cronin, o Deerhunter num processo de simplificação que deu bem certo, a coletânea da Italians do It Better e até mesmo o novo do Wavves. Dos nacionais: Wado, Kung Fu Johnny, Dorgas, Opala, Club America e Glue Trip.

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