Entrevista: Anibal

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Saindo do desconhecido, para o popular, Anibal encantou a muitos com sua música no clipe de “Hair Cream”, lançado no mês de fevereiro. Ele compõe há mais de 14 anos, sai da sua timidez de compor em casa e solta sua voz para todo o mundo ouvir e conhecer em “Something“, primeiro disco do cantor, compositor e instrumentista. Nós realizamos uma entrevista por e-mail com ele, falando sobre o clipe, o disco, de onde ele surgiu , e ainda, abordando outras questões onde vocês possam conhecer um pouco melhor o seu trabalho. Veja abaixo:

De onde surgiu o Aníbal músico?

Veio surgindo. Desde criança, o som funcionava como um elemento mágico pra mim. Lembro do meu encantamento com um sanfoneiro cego – um que ficava numa praça grande da minha cidade. Minha mãe puxava meu braço enquanto eu permanecia hipnotizado. Meus pais foram generosos e me presenteavam com instrumentos e brinquedos de som, me colocaram em aulas de música e tudo. Pequeno, eu montava umas apresentações de brincadeira com os amigos pra platéia de nossa pequena vila. Aliás, eu caminhava uns bons quarteirões até o colégio e era sempre cantando. A poesia também foi acontecendo, em paralelo. A poesia que minha mãe fazia e declamava. As que eu decorava, enfim. Minha família toda escreve e todo mundo canta. Tenho um primo sanfoneiro – Osvaldinho da Sanfona – e as festas de família significavam reunir pra tocar e cantar.

Mas se é para falar de um momento específico, penso muito na primeira canção que fiz. Combinei com meu primo que eu faria a letra e ele a música. Fiz duas poesias lindas – lá no Crato – e ele ficou me devendo as canções. Fui aprender o violão só pra não deixar as letras de lado. Não parei mais de compor. São mais de 14 anos compondo canções das mais variadas e é sempre um grande prazer. A canção sempre foi minha casa, o lugar bonito para onde eu fugia e onde me encontrava.

No meu modo de ver, acontece do som estar no cerne de todo ser vivo. Somos canções e isso fica obvio nos sons dos bichos e da natureza. Você não acha que a natureza acorda musical já de manhã cedo e que para os bichos é um trajeto inevitável? Pense na vibração intrínseca de tudo que existe, vivo ou inanimado, que mistério maravilhoso é o som. Bem, à medida que nos aproximamos da nossa própria essência, alcançamos os sons e ritmos que compõem a nossa existência e podemos externa-las na canção. Um processo de auto-intimidade. De modo que não existe tanto o Aníbal músico quanto existe o Aníbal canção.

Quase ninguém conhecia o seu trabalho antes do lançamento do clipe de “Hair Cream”. Como foi a produção do vídeo?

A produção foi mágica. Tudo que se produz de dentro pra fora – que vem do próprio coração – traz força direto do infinito. O álbum e o clipe são parte dessa magia. Quem assiste percebe uma delicadeza envolvente e uma essência cativante. Algumas cenas são eternas que dá vontade de voltar lá e assistir de novo! Thyego Lopes, o diretor, foi muito feliz na realização do trabalho!

Para que entenda, Something é um projeto com vida própria e sua energia circula de uma arte para a outra, encontra o próprio caminho e surpreende sempre. Funciona assim. As canções que fiz me levaram ao arranjo e ao produtor musical Renato Oliveira – da Gota Sonora. A canção arranjada foi me apontando João Faissal, que me trouxe Bruno Sousa – para o visual. Depois, Thiago Trapo para as ilustrações maravilhosas e Thyego Lopes acabou recebendo uma amostra das artes sem minha intervenção. O pessoal se conhece por aqui. Ele se encantou com a proposta e eu sabia que tinha que ser sua a assinatura de um clipe – antes mesmo de conhece-lo. Que tudo o que pudesse sair dele seria verdadeiro, envolvido, profundo.

Conversamos sobre as opções e ele já conhecia todo o álbum, escutava no carro e tudo. Ele queria Hair Cream e eu achei legal que fosse assim. Hair Cream é um jingle e traz toda a beleza que um jingle pode oferecer ao amor. Thyego tem um envolvimento enorme com a publicidade e então fazia sentido! Ele foi juntando uma equipe linda – Drica Soares, Ana Dinniz, Bruno Sales, produtora Olho Vivo… – e aquela energia de paixão artística que Something soube despertar em Thyego, ele conseguiu passar adiante – para a arte seguinte e assim vai. Foram 3 dias intensos de gravação. E por isso o clipe toca.

Minha arte sempre foi um segredo. As pessoas mais próximas ouviam e diziam: você precisa divulgar isso! É maravilhoso! E eu agradecia profundamente, mas ainda não estava no meu momento. Ano passado foi uma surpresa voltar a morar no Nordeste que amo e esse deve ter sido o gatilho mágico. João Pessoa é muito especial para mim e agora posso organizar a casa para que todos vejam. Fico muito feliz que tenha sido com Something. Ele desperta o lado inexplicavelmente bonito das pessoas. As novidades ainda não chegaram, mas fico feliz demais com a receptividade! Esse ano será muito especial para todos nós.

No seu release do site li a seguinte frase: “…Então, não estamos falando simplesmente de um compositor Anibal ou de um álbum chamado Something. O que apresentamos aqui é um maestro comprometido com uma abordagem artística rica e moderna em torno do tema amor, tudo criado para encontrar as pessoas e faze-las imaginar outros caminhos para o amor e a sensibilidade”.   De onde veio a ideia do lançamento de “Something”?

Nunca pensei em lançar um álbum em inglês. Nem de longe! Mas essas coisas acontecem. E ninguém pode impedir o universo de materializar suas melhores intenções. Quando as músicas foram chegando em mim, percebi o quanto eram lindas e profundas. As melodias, as harmonias e as letras estavam no lugar certo, percebi que alguma coisa especial – Something – estava acontecendo. Uma música me chamava muita atenção – era a Something. Diz “Tem algo em você que faz sorrir…” e eu achava aquilo lindo. O álbum todo me fazia sorrir e eu disse: “Tem algo…” Something..

Something é uma proposta amorosa diferente. Sempre tive a percepção de que as músicas amorosas se inclinam para a repetição vulgar – nas letras, nos estilos, na proposta visual. Achei que Something podia contribuir trazendo um aspecto mais sublime – o que vem no cerne da própria palavra. De modo que pensei em lançar algo diferente em todos os aspectos – da melodia ao arranjo, do instrumental ao estilo, da primeira imagem ao clipe. Achei que seria saudável para quem gosta de música e desde que a primeira música de Something me ocorreu, não via a hora de mostrar para as pessoas essa opção delicada.

Sinceramente, ainda estou providenciando o lançamento mesmo. Sou um músico independente e meu compromisso em construir alguma coisa bonita é maior que o de lançar imediatamente. Gosto da ideia maluca de Gaudí. Ele construiu a igreja Sagrada Família, mas ela nunca foi lançada. Até hoje faltam torres daquela igreja e nem por isso as pessoas deixam de freqüenta-la! É uma das mais queridas. Gaudí esclarecia que o “Cliente” não tinha pressa – se referindo a Deus, claro. Espero chegar em um ponto ótimo para o projeto Something. Mas quero Something – como projeto de cultura e renovação – seja um espaço de freqüência mais que um álbum lançado e pronto.

Fico muito feliz com a receptividade que estou encontrando. Pessoas desconhecidas e amigos mais próximos. Especialistas em música ou mesmo músicos estabelecidos. Mas também pessoas leigas em música ou até em inglês, mas que se emocionam com a sonoridade de Something como alguém se emociona com a língua universal dos gestos e sons. Quero que o clipe e o álbum cheguem a mais pessoas, mas é um movimento que ainda não fiz realmente. Deve acontecer muito em breve. Nós não lançamos, nós estamos lançando. E fico feliz de que as pessoas já estejam gostando, são todas muito generosas.

Há um conceito por trás de “Something”?

Essa é uma excelente pergunta. Primeiro, eu quero esclarecer minha inclinação por uma música com personalidade e por uma arte com conceito. Cada álbum meu é um conceito diferente e isso é importante na hora de fazer – com respeito às pessoas envolvidas, às palavras utilizadas, à forma como a arte toda é construída e o projeto é divulgado e comercializado – e na hora de consumir – em termos do que esperar e de para onde se está sendo levado. Menos o estilo, mais o conceito. Ou seja, posso variar o estilo de um álbum para ou outro, desde que faça sentido do ponto de vista do conceito. O importante é comunicar algo com consistência e proporcionar uma experiência viva e abrangente em torno de um tópico genuinamente humano.

O conceito de Something é simples. No inglês eles dizem: “She is really something!”. Querem dizer que ela tem alguma coisa de muito especial, mas que ninguém sabe dizer o nome. Pronto! Something é tudo aquilo especial a ponto de não poder ser abarcado com a palavra simplesmente. Something é esse encantamento que se confunde com o próprio amor, que se aproxima da indefinível arte. Por isso, é um álbum lindo em todos os aspectos artísticos – uma peça de amor e arte. Eu converso com todo mundo e explico que precisamos trazer Something para as nossas artes e para as nossas vidas. E os artistas engajados compreendem imediatamente, empenhando os melhores esforços na realização de algo novo.

Não tenho dúvidas de que todo ser humano traz Something. Somos todos inomináveis em essência e nossas almas são amorosas e artísticas – queiramos ou não. As sociedades precisam de pessoas conscientes de que estão construindo um enredo de amor e pincelando um novo quadro a cada segundo. Seremos sublimes na proporção de nossos esforços em construir algo sublime e isso em todos os aspectos do coletivo – na música, inclusive. Queremos médicos artistas, jornalistas artistas, professores artistas, amantes artistas e inclusive “artistas” artistas. Essa é a proposta de Something e acho que conseguimos condensa-la bem em uma única palavra.

Qual é sua música preferida do trabalho?

Não é uma pergunta justa, mas eu gosto disso. Dependendo do dia, eu gosto mais de uma ou de outra. Cada uma traz “something” que eu gosto mais. Se tivesse que escolher alguma, ficaria com a letra provocante de I’ll be there, a melodia de Something, a alegria romântica de Hair Cream, a profundidade de Río Baltimore, a sinceridade de When I Think Of You, o mistério de Sí, Seré, Bebé e assim vai! Adoro Something! E adoro a faixa Something particularmente. É uma música tão sublime, tão simples e bonita. Fico feliz que tenha dado nome ao álbum! E essa versão está formidável. Pessoalmente, é uma música importante e significa a minha redescoberta do amor. Um amor leve e despretensioso, ao mesmo tempo eterno e inevitável. Mas aí lembro de I’ll be there! Que adoro! E aí fica difícil.

Anibal

Voltando ao clipe, hoje vi que o clipe está chegando na marca de 4 mil visualizações, e no seu lançamento repercutiu bastante entre as pessoas da cidade no facebook, você esperava essa recepção toda?

Bem, eu estava em Recife quando o filme-clipe começou a repercutir rapidamente. Achei muito legal e me vi na posição privilegiada de acompanhar o processo um pouco mais de longe. A gente percebe a onda circulando e as pessoas curiosas para saberem o que está acontecendo. Acredito que vimos uma pequena fração até agora, mas vamos ter que esperar um pouquinho. O trabalho todo está ficando muito especial. E esse movimento foi a ponta de um belo iceberg. As pessoas se surpreendem sempre com a qualidade das músicas e do álbum todo, fico feliz que seja assim. Estamos realizando uma arte sem idade, sem pressa e com referências. As pessoas poderão experimentar Something sempre que elas quiserem pisar no terreno santo do amor e da arte. E tenho recebido muitas mensagens maravilhosas de músicos, artistas, amigos, conhecidos e desconhecidos. Gostaria de postá-las um dia para que entendam do que estou falando. Que bom, ficamos todos felizes com essa boa repercussão. Que repercuta ainda mais.

Outros clipes estão vindo por ai?

Sim. Se depender de mim, João Pessoa vai se tornar a capital brasileira do vídeo clipe. Um vídeo como Hair Cream é cinema puro e estamos reafirmando que somos absolutamente capazes de produzir algo do mais alto nível. Assisti ao clipe varias vezes e continuo assistindo, porque é de uma beleza inominável. Certas cenas já entraram para a minha gramática do cinema e Thyego fez um trabalho e tanto na realização do clipe.

Um clipe como esse mobiliza recursos criativos diversos, movimenta a economia de forma saudável, sugere novas abordagens para a arte local, reúne e fortalece a classe criativa da cidade em torno de uma qualidade cada vez maior. Os artistas da Paraíba são fantásticos e o mercado internacional precisa conhecer isso. Bruno Sales na Direção de Fotografia, Drica Soares na produção, Ana Dinniz na Direção de Arte, a produtora Olho Vivo de Thalles Farias viabilizando toda a parte técnica, todo o pessoal técnico envolvido e as atuações fabulosas de João Faissal, Krishna, Kassandra Brandão e companhia são pérolas da arte paraibana. Os músicos que vêem o trabalho adoram e essa abordagem vai se espalhando ainda mais.

Acredito que encontraremos um caminho importante para nossa música pelos vídeo clipes e já estou pensando em prosseguir com essa proposta. As pessoas passam a enxergar as cores da música, os movimentos e as situações. Tive a oportunidade de receber uma mensagem fantástica do Fernando Ventura, do Grandphone Vancouver. Que clipe maravilhoso que eles fizeram em Campina Grande e que abordagem original! Que bom se isso acontecer na Paraíba inteira! E tem que ser assim mesmo! Quem sabe não é nosso caminho?

Você tem planos para realizar algum show em breve?

Estamos organizando um show de nível internacional. Costumo brincar, dizendo que será POP, HIGH TECH e LINDO. Ajuda as pessoas a entenderem um pouco do que está se passando. Minha ideia é simples: os shows estão muito previsíveis para quem assiste e para quem faz. Existe um espaço enorme de celebração e estamos correndo na direção de ajudar povoa-lo. Imaginativo e animado, colorido, sonoro e colaborativo.

Parece um pouco de exagero, mas faz parte da proposta de Something. Se fosse outro projeto meu, podia ser de outro jeito. Mas Something não se dá por menos. Já existe um espetáculo lindo em se levar o álbum e o livro pra casa, aproveitar com calma. O que queremos agora é um verdadeiro show de som, imagem e atitude como deve ser todo bom entretenimento. Que deixe dor de bochecha da gente rir, provoque molhado da gente chorar e desperte interesse – de a gente não ver a hora. A proposta é passar por 7 cidades – e quero muito incluir João Pessoa!

Quem quer escutar/adquirir o “Something” precisa fazer o que?

Atualmente, o público de João Pessoa pode adquirir Something em dois formatos. A primeira é a versão digital pelo iTunes. É clean para quem usa plataforma Apple e que tem um apelo internacional bonito. O sujeito pode comprar o álbum em qualquer lugar do planeta e já tem gente comprando em outros lugares. (Acesse clicando aqui o álbum “Something” na itunes store)

A outra opção é a versão luxo, que está disponível em duas lojas de João Pessoa: Sebo Cultural e Música Urbana. Vem em formato digipack, com encarte e letras, acompanhado do livro Something Amor&Arte. Você pode entender mais do projeto, conversar comigo sobre as músicas e as referências, conhecer minhas opiniões. Na verdade, é uma forma das pessoas apoiarem esse projeto independente.

Finalmente, Something está chegando em outros canais de distribuição. Estou lançando uma versão mais popular e as duas versões – juntamente com outras peças surpreendentes de Something – estarão disponíveis numa loja da fanpage e possivelmente no próprio site. Peço que acompanhem essas e mais algumas novidades na fanpage. Teremos atualizações incríveis! (Acesse clicando aqui o facebook do Anibal).

Assista “Hair Cream”:

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