Entrevista: Bratislava (SP)

IMG_1561-eO Brastislava é uma banda de São Paulo que lançou no final de novembro seu primeiro álbum, chamado “Carne”, com 12 faixas inéditas. O grupo formado pelos irmãos soteropolitanos Victor Meira (baixo/vocais) e Alexandre Meira (guitarra/vocais), e os paulistanos Edu Barreto (guitarra) e Ricardo Almeida (bateria), possui um som diferenciado, com grandes influências da música cigana e do tango, que vai da música brasileira à francesa, notando-se, claro, também o cruzamento dessas sonoridades ao bom e velho rock.

O álbum “Carne” foi produzido por Claudio Machado, Fábio Santini, Luis Lopes e Victor Meira. A banda gravou o disco no estúdio C4, no bairro do Bexiga, em São Paulo.

Visando ainda este novo trabalho, realizei uma entrevista por email com  o Alexandre e o Victor, que ainda, convidaram para participar o Sophian, ex-baterista que gravou “Carne” junto com o grupo. Conheça e confira tudo logo abaixo:

1. Como se deu inicio a banda? 

Alexandre: Em 2009 tínhamos uma banda que fazia cover de “punk cigano”. Éramos em 6 integrantes: 3 deles eram verdadeiros piratas ciganos que brindavam até o último minuto nos ensaios da banda. E os outros 3 estavam ali por causa da música em si. Enfim, os interesses eram diferentes e, num dia que parecia ser mais um dia normal de ensaio, a bebedeira passou da conta e rolou uma treta braba, de ameaças até dentro da banda. Como se pode imaginar, esse foi o último ensaio. Mas os 3 que estavam ali por causa da música decidiram não parar e começaram um novo projeto, mais autêntico, sincero e comprometido, com músicas autorais, que depois de alguns meses ganharia o nome de Bratislava.

Victor: Depois a banda viu a saída do Pedro Chammé das bateras, pra a entrada do parisiense Sophian Ferey, que assina as bateras do disco Carne. Mas logo após a gravação ele foi embora do Brasil, morar com a namorada na Austrália. Ele já havia anunciado a despedida dele, e já vínhamos ensaiando juntamente com o Ricardo Almeida, que assumiu oficialmente a bateria quando o Sophian partiu. Além dele, meses antes da gravação do disco o trio virou quarteto com a entrada do guitarrista Edu Barreto.

2. Bratislava é a capital e principal cidade da Eslováquia, porque virou o nome da banda?

Alexandre: Quando eu tava no cursinho, em 2007, na aula de geografia surgiu a pergunta “alguém sabe qual é a capital da Eslováquia?”. Pro meu espanto o moleque do meu lado respondeu na lata: Bratislava!. O nome da cidade ficou na minha cabeça, acho que por causa da sonoridade. Anos depois, quando pensávamos em um nome para a banda, falei de brincadeira: “Bratislava”. E acabou colando. Além disso, nosso som tem influências do leste europeu e, enfim, Bratislava me lembra viagem, e a gente de fato viaja quando compõe. A gente tenta não se prender a nada.

Victor: Ano passado descobri que Bratislava significa “a glória do irmão”. Brats – irmão, e Lava – glória/fama. Achei muito bacana, uma puta coincidência (eu e o Alexandre somos irmãos).

3. Quais são as pretensões da banda com o lançamento de Carne?

Alexandre: Carne foi um disco produzido com muito carinho e esforço. Queremos tocar em muitos lugares, mostrar o nosso som.

Victor: Pois é, acho que é finalmente o trabalho de apresentação da banda. Em 2011 lançamos o EP Longe do Sono, pra situar a gente em algum lugar no mar de bandas de São Paulo e do Brasil. O trabalho tinha o intuito de mostrar a diversidade de terrenos musicais por onde a banda perambulava, passando por rock cigano, marchinha francesa, samba e rock progressivo.  O Carne continua carregando essa diversidade, mas acho que apresenta a banda de um jeito mais completo e mais coeso.

4. No e-mail que recebi de vocês sobre o disco, vi que vocês tiveram influências da música cigana, o klezmer, a chanson, do tango e a música brasileira. O que vocês mais escutaram durante o processo de composição do álbum?

Victor: A banda francesa Debout sur le Zinc é um norte pra mim, acho lindo demais, principalmente os discos De Charybde en Scylla e o Des Singes et des Moutons. O bando de velhões ciganos do Bratsch faz um som maravilhoso também, ouvi muito na época da gravação, assim como as melodias pesadas da finlandesa Alamaailman Vasarat. No mais, sou fã do trabalho do Omar Rodriguez Lopez, guitarrista do Mars Volta, acompanho de perto o trabalho dele. O cara lança 5, 6 álbuns por ano, acho incrível. Admiro muito artistas prolíficos como ele.

Sophian: Eu tava escutando Streetlight Manifesto, Debout sur le Zinc, Morphine, Skrillex, C2C… Se pá bastante Macaco Bong também! (risos)

Alexandre: Cara, eu tava muito concentrado nas músicas do disco e nas nossas composições. Escutei muito nossas próprias músicas – prés, registros. Como foi um ano de muita correria pra mim (último ano de faculdade, prestando OAB, fazendo TCC) não consegui ouvir muita coisa nova, apesar de ter conseguido criar bastante coisa.

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5. Pra vocês qual é a diferença maior entre lançamento do EP “Longe do Sono” e o disco “Carne”?

Alexandre: Foi tudo feito com muito mais planejamento, a banda já mais experiente, e com um investimento mais… corajoso. (risos)

Victor: É o que eu disse antes, Carne tem um pouco mais de coesão do que o Longe do Sono. Não por ser melhor, até porquê no Longe do Sono a gente quis mesmo mostrar diversidade. Mesmo bastante diverso, o Carne tem mais unidade, segue uma linha um pouco mais firme.

6. Na composição das letras o que influência a banda? (Literatura, experiência de vida, filmes?)

Victor: Acho que a literatura tem um papel grande de influência nas letras da banda. Teve uma época no começo da faculdade que eu mergulhei muito forte num ritmo alucinante de leitura. Cheguei a ler mais de quarenta livros em um ano, devorava os clássicos, Kafka, Oscar Wilde, Bukowski, Orwell, Borges, Zweig, Huxley, Dostoiévski, Balzac, Tolstói, Guimarães Rosa, Allan Poe, Shakespeare, Ítalo Calvino e a lista segue. Gosto demais dos livros do argentino Julio Cortazar e dos romances e novelas do Sartre. Em 2007 comecei a escrever poesias e contos curtos (inclusive tô trabalhando numa pequena antologia de contos) e aí, com a formação da banda, passei a experimentar no formato da letra de música. Foi um parto começar a criar alguma articulação nesse terreno, continuo achando sempre bastante desafiador.

7. Vocês lançaram o disco ainda em novembro. Como anda a repercussão principalmente fora de São Paulo?

Victor: Em 2012, fora do estado, fizemos três shows no Rio de Janeiro (capital) e dois no Paraná (Londrina e Ponta Grossa). No interior/litoral de São Paulo tocamos em Porto Ferreira, Mogi das Cruzes, Cosmópolis e em Santos, no fim do ano. O disco tem sido bem recebido pela crítica especializada (jornalistas, blogueiros e redatores de pequenos sites de música) e nos shows aqui da capital tem rolado um público bacana. Mas acho que ainda estamos num processo de formação e descoberta desse nosso público.

Alexandre: Vale lembrar que estamos com mais 2 clipes gravados, em fase de edição, e filmando mais um. Além disso, o produtor/compositor Matschulat tá preparando o remix de uma das faixas de Carne. Reservamos muitas surpresas pra 2013!

8. Vocês disponibilizaram o CD todo pra download gratuito. Por quê?

Victor: Por que o consumo de música na internet é gratuito, é besteira ficar fazendo resistência. Disco pago tem menos ouvinte, simples. Se o cara entra no site da banda e vê que o download do disco custa x reais, ele vai antes dar uma olhadinha rápida no google pra ver se não encontra de graça, disponível em algum blog. Assumimos a postura do pai moderninho: a filha adolescente cedo ou tarde vai transar com o namoradinho. Se a gente fecha a porta de casa, ela vai transar com ele no banheiro da festa, em cima da árvore no parque, num motelzinho barato. Vai se arranjar. Por isso a gente deixa a porta de casa aberta, pra conhecer o namoradinho dela, acompanhar a vida da nossa filha. Somos pais exemplares. (risos)

Baixe o álbum “Carne” aqui.

9. Que bandas vocês indicam para nossos leitores?

Victor: Recomendo todas as que eu citei ali na pergunta das influências. Aqui da nossa cena recomendo o som dos mineiros do A Fase Rosa, que estão pra lançar disco, o Zimun (de BH também), o Hierofante Púrpura, de Mogi… Gostei também do disco mais recente do Arthur R, o K7. Também do Cellardoor, o Ástarsaga… Hoje mesmo ouvi o ótimo disco do Sertanília, lá de Salvador (minha terrinha)… Muita coisa boa florescendo em todo canto!

Vídeos:

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