Os melhores álbuns internacionais de 2011 (10-1)

10. Let Them Talk – Hugh Laurie

Hugh Laurie conseguiu surpreender no seu álbum de estreia, composto de 18 músicas. O conhecido ator da série House, além de criador do romance The Gun Seller, canta e toca piano nos seus covers de clássicos do blues. O CD provoca uma sensação de nostalgia, de estar em algum bar americano do início dos anos de 1900, mesmo estando um século e várias milhas distante.

A voz de Laurie é o grande destaque do álbum, juntamente com os belos arranjos, extremamente fiéis ao blues enraizado no início do século passado. Com a participação de personalidades como Dr. John, Irma Thomas e Tom Jones, Let Them Talk não se permite passar despercebido por 2011. (Cairé Andrade)

“Guess I’m A Fool”

09. Bad As Me – Tom Waits

O fracasso da parceria de Lou Reed com o Metallica, as gravações (não tão) inéditas de Neil Young lançadas em disco e até o boato (falso) da volta de David Bowie criaram expectativas demais nos admiradores dos grandes nomes do rock neste ano, sem que as produções ficassem à altura das grandes figuras. Até que, depois de sete anos sem lançar um àlbum novo, Tom Waits vem mostrar toda a sua moral no disco “Bad As Me“. Produzido por sua esposa, Kathleen Brennan o àlbum tem partipações incríveis de Flea (Red Hot Chili Peppers), Keith Richards e Les Claypool (Primus), mas quem segura as rédeas de toda a produção com sua voz forte e rouca, suas letras boêmias e os altos e baixos das canções é o Tom Waits, que já começa com a gritante “Chicago“, música que te faz viajar bebado entre neblinas e cabarés, passando desde o blues fundo-de-poço “Kiss me” até a balada “New Year’s Eve”, que poderia ser tocada “tranquilamente” numa ceia de natal. Os anos de experiência e música de Waits melhora cada vez mais sua produção e atesta sua genialidade. (Flávia Tabosa)
“Chicago”

08. The Whole Love – Wilco

Existem canções que parecem ter sido feitas para ouvir ao vivo. Certo? Mas e quando elas vêm num disco de 12 faixas e mais: entremeada com outras que nem empolgam, nem sensibilizam? Essa pode até ser uma visão bastante negativa. Mas, ao final da audição, a sensação que “The Whole Love” deixa é que Wilco juntou músicas excelentes, feitas para tocar ao vivo – “Art of Almost” (ou Radiohead encontra Wilco), “Dawned On Me” e “Standing O” – com outras que até encantam, aqui e ali, mas não tem o costume de grande parte das músicas do Wilco: te pegar pelo pé, virar de ponta cabeça e fazer você parar e pensar “Puta merda, que som é esse que eu estou ouvindo?”.  Algumas são bonitinhas, agradáveis, como a última “One Sunday Morning”, também reconhecida pelo comecinho a lá Alceu Valença. Mas nem essa faz com que o disco encorpore numa forma redonda e – assim como boa parte das coisas do Wilco – espetacular. No fim, a sensação que dá é que falta alguma coisa. E você só vai descobrir o quê se ouvir. (Jessica Figueiredo)

“I Might”

07. Helplessness Blues – Fleet Foxes

Fleet Foxes demorou até lançar outro disco, mas não desapontou nem um pouco após seu genial álbum de estreia, o Fleet Foxes (2008). “Helplessness Blues” é regado de músicas que te levam ao encontro de barris de rum e banjos na época da Renascença. O álbum todo é uma viagem épica, com letras que parecem ser baseadas na linguagem poética inglesa; absolutamente imperdível e impecável. (Gi Ismael)

“The Plains/Bitter Dancer”

06. Collapse Into Now – R.E.M

Não são todas as bandas que conseguem (ou podem) fazer de todas as músicas do seu disco, nenhum hit. R.E.M pode e consegue, mesmo num álbum que, como falou Michael Stipe à Rolling Stone, trazem várias indicações de que a banda estava acabando. “Há alguns ‘até logo’ bem diretos ali”, disse ele, referindo-se à “All My Best”. Não fosse a notícia que a banda teria acabado neste ano, essa e outras canções seriam tratariam de despedidas… Ou não. “Blue”, por exemplo, traz um verso que presume Stipe como se estivesse na sua melhor fase: “This is my time and I am thrilled to be alive”. (Talvez uma das frases do ano)

Além dessa, “Oh My Heart” também simboliza a canção mais linda do disco. Nela, Stipe versa “This place needs me here to start
This place is the beat of my heart”, enquanto passeia o vocal entre trombones, pianos e dedilhados belíssimos de uma guitarra excepcional, mantida pelo gênio Peter Buck. Por fim, “Collapse Into Now” não parece ter nenhuma música entediante ou passageira, pelo contrário: o disco se mantém em boas melodias do começo ao fim, até se amarrar ao começo, com a repetição de “Discoverer” nos últimos minutos de “Blue”. (Jessica Figueiredo)

“Oh My Heart”

05. The King Is Dead – The Decemberists

Exprimindo felicidade e primavera, mas sem perder o lado yankee contador de histórias e deliciosamente folk quase lírico, o The Decemberists pareceu ter usado da perspicácia este ano com o “The King Is Dead”, álbum lançado no início do ano que fez a banda saltar do pódio do indie-esquecido para cair nas playlists de muitos amantes do folk-rock alternativo.

Sem pesar a mão em nenhuma canção, nem deixar cair no tédio de melodias exageradas (o que, às vezes, acontecia nos discos anteriores, como “Picaresque” e “The Crane Wife”), tudo em “The King Is Dead” parece ter a dosagem certa, indo da alegria de “Don’t Carry It All” (que abre o disco numa gaita maravilhosa) à melancolia de “Dear Avery”, passando ainda pela espetacular “Down By The Water” e pela tensa porém belíssima “This Is Why We Fight”. (Jessica Figueiredo)

“This Is Why We Fight”

04. Suck it And See – Arctic Monkeys

Suck It And See pode ter sido uma decepção para alguns fãs do Arctic Monkeys por provocar a esperança de que a banda voltasse ao estilo dos dois primeiros álbuns, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006), e Favourite Worst Nightmare (2007). Mas, quando passamos pelo Humbug (2009) e pelo Suck It And See, o amadurecimento da banda é um ponto a se considerar.

O que não se pode negar é que os meninos de Sheffield alcançaram um estilo único, dificilmente encontrado em outras bandas de rock desde o começo dos anos 2000. O álbum lançado em junho deste ano surpreende por não se tratar de músicas agitadas, e sim por ser um belo sucessor de Humbug, com boas melodias e arranjos, como em “All My Own Stunts” e “That’s Where You’re Wrong”, além de uma boa melhora na voz – agora mais grossa – de Alex Turner, frontman e líder do grupo. (Cairé Andrade)

“Brick by Brick”

03. Noel Gallagher’s High Flying Birds – Noel Gallagher’s

Impossível ver os trabalhos dos irmãos Gallagher sem compará-lo ao Oasis. O fato é que a essência da antiga banda continua a dar sonoridade no disco de Noel Gallagher’s High Flying Birds, inclusive com faixas regravadas, que foram lançadas na época que a banda ainda estava na ativa. Colocando a atenção em Noel, sua voz está mais potente, com os arranjos incrivelmente bem produzidos e ritmos mais lentos, isso é perceptível nas faixas “Broken Arrow” e “If I Had a Gun…”. Gallagher diz que seu som não está mais para estádios e sim para shows menores, mas sua produção segue com ritmos mais fortes, como em “AKA… What a life”, música perfeita para uma grande multidão cantar em coro. Apesar de não ser muito surpreendente, é um disco sensacional, que dá o devido espaço à qualidade musical irrevogável de Noel. (Flávia Tabosa)

“AKA…What a Life!”

02. Wasting Light – Foo Fighters

O Wasting Light foi o sétimo álbum de estúdio do Foo Figthters e logo de início ele se demostrou bem diferente dos últimos álbuns lançados pelo grupo. O álbum tem uma força maior e logo atraiu uma grande atenção por parte da mídia em torno de seu lançamento, a evolução do Foo Figthters seria essa novidade- o álbum conta com contribuições do ex- baixista do NirvanaKrist Novoselic, sendo produzido por  Butch Vig ‘s (produtor de Nevermind) – e ainda uma campanha de marketing viral muito brilhante contribui para o sucesso (Vocês se lembram do clipe de White Limo foi lançado antes de seu lançamento e com a presença do grande Lemmy do Motorhead), e debaixo de todo, na verdade, o álbum é isso o mais do mesmo.

Este álbum possui uma qualidade que era de ser esperar pela vontade do Foo Fighters de se re-inventar-se e eles voltaram para aquela sonoridade do início do grupo, mais pesado, mais rock e soando muito bem um álbum dos anos noventa nos dias de hoje. Outro ponto alto do disco são as letras do líder Dave Ghorl como nas música “I Should Have Known”, “These Days” e “Arlandria”.

“Arlandria”

01. El Camino – The Black Keys

El Camino foi com certeza um dos álbuns mais aguardados do ano. O Black Keys se tornou uma banda bastante popular com o lançamento de Brothers, em 2010, e ainda quebrando o vácuo deixado pelo lançamento do também neo blues do ultimo lançamento do White Stripes em “Icky Thump” (2007).

 Em 2011, o Dan Auerbach e Patrick Carney misturam duas grandes forças da música setentista; a energia e os vocais apaixonados do soul e o rock cru e dançante (garage, glam, hard), herdeiro direto do R&B, do blues e do soul claro.

O Black Keys neste ano fez dez anos de carreira e está com certeza em seu melhor momento, neste lançamento, “El Camino” está bem diferente de outros trabalhos que já foram lançados pelo duo. A produção do disco ficou por conta do famoso produtor Danger Mouse, a dupla lançou 11 faixas no álbum, e a grande diferença é que o Black Keys está mais “pop”, no sentido de estar com mais popularidade e não por ser um Coldplay ou um U2, porque em “El Camino” a música é movida por grandes riffs de guitarras do bom e velho rock’n roll, no todo uma ótima formula para shows de grande porte em estádios.

Os destaques do álbum são com certeza são as faixas “Lonely Boy”, uma música dançante e frenetica, “Dead and Gone”, um bom blues com participação de vocais bem ao estilo gospel e ainda “Little Black Submarines” a música mais Led Zeppelin e roqueira do álbum.

Escute:

“Little Black Submarines”

Veja também:

Os melhores álbuns internacionais de 2011: 30-21 / 20-11 / 10-1

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16 respostas em “Os melhores álbuns internacionais de 2011 (10-1)

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  3. Acho que nesta lista deveria com toda máxima certeza conter o CD de ADELE o 21. Um CD produzido por ninguém menos do que Rick Rubin, que foi indicado a grammy e etc… além de ser um disco marcante de uma (jovem) cantora que tem um grande talento musical (e grande conhecimento de música).

      • Bem de fato seria a minha única discordância na lista. =/
        Alem da qualidade artistíca da produção do álbum, a repercussão dele foi muito grande. Segundo lugar na Bilboard e concorrendo em 4 categorias no Grammy (Álbum do Ano, Melhor Álbum Pop, Performance Individual e Canção do Ano).(!!!)
        É sem dúvida um Cd para primeiro lugar.

    • Entendo seu ponto, mas essas comparações são extremamente comerciais. Exemplo: Adele entrou na lista da Billboard, depois dela vem a Rihana, Britney, Katy Perry, Bruno Mars… Sem falar no Grammy Awards, a premiação comercial “em pessoa”.
      Mas essa nossa lista foi feita de uma forma menos comercial e de gosto pessoal mesmo (além do gosto dos leitores do blog). A gente não levou em conta quem vendeu mais CDs ou quem tocou mais na rádio. Cada um dos 7 autores do blog fez uma lista de 10 artistas, pontuando de 1 a 10. Acontece que, para a maioria, Adele apareceu na lista, mas seu álbum não agradou tanto quanto outros.
      Não me entenda mal, o 21 é excelente, mas não tanto quanto o El Camino… Claro, minha opinião.

      • Bem na questão de ser comercial, bem, isso não tem nada a ver, por isso o ponto é: Foi o “gosto”.Ser comercial ou não, tocar na rádio ou não, isso não se leva em conta ( ás vezes, pelo contrário. Uma banda ou artista alcança determinados resultado pela qualidade).

        E indo mais adiante, muitos críticos atuais defendem um artista de qualidade deixa uma marca no insconsciente do meio social. Ex.: Se você pegar uma foto dos Bealtes por exemplo, em qualquer lugar eles serão reconhecidos, Roberto Carlos etc.. e etc…

        Por que musicalmente não se julga a fato: “Comercial”

        Obs.:
        E a academia do Grammy é compostas por críticos de música muitos conceituados.

        E eu não vi em comparação com o 21 nada que o CD El Camino tenha de mais sinceramente.

      • Tipo, eu acho meio que você desmereceu os sons comerciais, como o meu colega de cima citou tinha coisa mais comercial que Beatles? eles só vieram fazer o que gostavam de fato quando o produtor deles morreu, e lembre-se TUDO Que é comercial um dia foi alternativo 😀 o Iron Maiden já foi uma banda de garagem que tocou em algum bar escroto por aí, assim como incontáveis bandas eu acho nobre o seu gesto de criar um blog pra falar do seu gosto pessoal, e pra um público X e tentar agradar só a esse público X, sem ter preocupação com o que de fato é já se torna Autismo na minha humilde opinião.

        Obs: Me add no msn gatinha 😉

    • Bom Issac a lista foi como nossa companheira Gi falou formada em um pontuação de várias pessoas do blog. Então as pessoas do blog votaram e a maioria concordou com o resultado do ranking de álbuns então essa é a lista que possui a cara das 7 pessoas que fazem o blog acontecer. Então na nossa opinião sem querer desmerecer as outras listas e comparar com Grammy (que acho um absurdo) é a lista com nossa identidade e gostaria que você respeita-se nossa opinião e é isso gosto é que nem nariz cada um tem o seu.

      Um curiosidade minha é a sua lista de 10 álbuns de 2011. Você poderia colocar aqui tb? E Roberto aqui não é um lugar de paquera hehehe.

      Abs,

      • Bem, ainda não entendi o que vocês tem contra o Grammy. A acdemia do Grammy é compostar por críticos imporntantes, profissionais do assunto, muita gente tem uma frescurite com o que é “comercial”, sinceramente na melhor das hipóteses é fase, se não, bem…

        Uma lista não deve ter nada a ver com gosto. Se alguém é capaz de afirmar que “estes são os 10 melhores cds do ano” deve se usado algum critério como é usado no Grammy, e em qualquer lugar que se de ao trabalho.
        Eu não tenho nada contra o gosto de ninguém, como você falou gosto é gosto e cada um tem o seu, porém uma lista não pode ser vagamente gosto (a não ser que seja definido como “meus cds preferidos de 2011).

        A “minha lista” iria retratar gosto.Agora, uma lista independente do gosto, mais profissinal traria cd’s com mais “renome”.

        Sendo mesmo sincero, como já falei antes a lista esta boa…. faltaria a Adele com 21, o cd da Dionne Bromfield ( “afilhada” da Amy Whinehouse). O Suck it And See ficou muito legal, não é melhor do que o Humbug mas é um cd que mostra realmente o que o Arctic Monkeys sabe fazer, rock..

        O do Strokes realmente não serve muito na lista, e realmente não esta nela, porém o El Camino não é cd para 1º lugar.

      • Outra coisa, Eu vejo como a “frecurite” que eu citei é implantada nos meios “alternativos”.
        O cd da Gal Gosta produzido por Caetano… não está na lista dos melhores naicionas, nem o de Eramos Carlos.
        Bem, não sei como mas não está, enfim não sei se é a “frescurite” ou outra coisa,,,,

      • Alguns álbuns deveriam estar também como o do Craig Taborn, e outros lançamentos, John Scotfield.
        Mas o Jazz deve ser muito alternativo pra vocês… ou…

    • É que as vezes eu gosto de discutir demais, e ir até o fim em tudo….
      =/

      Sou meio tenso nisso, e as vezes eu me excedo. Parou.
      Sem mais discussões sem fim e descabidas, ok.

  4. Pingback: Os melhores álbuns internacionais de 2011 (20-11) « Atividade FM

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