Entrevista: Alyand e Phillippe, baixista e guitarrista do Dead Fish

Você já viu aqui que o Dead Fish fez um show brutal em João Pessoa, dia 21 de maio. E foi aproveitando essa vinda da banda à cidade que eu conversei com os dois integrantes da banda, Alyand, baixista, e Phillippe, guitarrista. Na entrevista, os garotos falam do novo disco, das novas músicas, do setlist e dos vinte anos de banda.

Também comentam sobre a saída do , antigo baterista que deixou a banda um pouco antes do Contra Todos ser lançado, e como isso mudou tanto na sonoridade da banda, quanto nos shows e na própria convivência dos caras.

Confira:

1 – Vocês sentem alguma diferença com o público do sudeste e o público daqui?

Alyand: Então, nós somos do sudeste. Daí nós vemos bem mais as pessoas que nós conhecemos, porque estamos lá sempre, os amigos de lá, nós vemos sempre e o tratamento é sempre diferente. Aqui é uma coisa mais calorosa, talvez por uma carência porque o Dead Fish não passa por aqui mais vezes, daí fica essa coisa mais quente. Então talvez essa seja a maior diferença. E o legal é: cada cidade tem sua peculiaridade, tem a sua essência, e isso é diferente. Por exemplo: a gente tocou em Maceió, numa quinta feira, para umas 800 pessoas, e foi um puta show!  E a gente não esperava que não fosse tão bom, por conta da data. Enfim, hoje a gente tava meio preocupado por causa da casa vazia, mas agora já tem uma galera. Tem três anos que a gente não passa por aqui. Então, pra gente, cada lugar tem sua essência e cada lugar é um show especial.

2 – Vocês construíram uma grande legião de fãs com o “Sonho Médio” e com o “Zero e Um”. E agora vocês chegam com um álbum novo, que é o Contra Todos. Como foi a receptividade do público para este novo álbum?

A expectativa do público pra esse álbum novo era grande. Porque, a gente tava saindo de um disco mais lento, mais conceitual, que é “O Homem Só”, e foi uma experiência diferente de som, de uma forma que o Dead Fish nunca tinha feito antes no estúdio. E o “Contra Todos” foi uma coisa mais expontânea, e deixou a gente bem satisfeito. Acho que a receptividade não poderia ter sido melhor, cada estado que a gente tem passado, as pessoas estão cantando, estão comprando disco, estão vindo ao show. Então isso é interessante como um termômetro de boa aceitação pra gente. Eu acho que não poderia ter sido melhor. A gente foi premiado, no ano que o disco saiu, como melhor banda de hardcore, por uma emissora, o que é legal, que te gratifica e te traz uma vontade a mais de estar trabalhando. E ver que o resultado, tanto como crítica, como público tem aceitado bem isso, então é gratificante.

3 – E qual foi a mudança, principalmente na sonoridade do novo disco? O que vocês acham que mudou mais, do Sonho Médio para o Contra Todos?

Ah, no “Sonho Médio” nós estávamos bem novos, a gente queria mudar o mundo, a idéia era “nós somos uma banda de hardcore que vamos mudar o mundo”. Hoje não, hoje a gente está mais maduro, sabemos onde a gente pode produzir… Continuamos com a mesma vontade, mas de uma forma diferente. Mas acreditamos em outras coisas, algumas acreditamos ainda e outras não, mas continuamos uma banda guerreira, brigando pelo que a gente acredita. Acho que a principal mudança é a idade, a sonoridade. No “Sonho Médio” nós gravamos o disco em uma semana, porque todos nós ficamos um mês no Rio, trabalhando, então… Fica bem mais trabalhado agora, a gente tem tempo para trabalhar, uma gravadora dando apoio, mais maduros, mais agarrados com o que a gente acredita, então isso é sempre positivo.

4 – E como é o setlist de um show de uma banda com 20 anos de carreira?

Putz, isso é complicado. A gente tava falando que a gente está igual ao Cólera, que é uma banda que nós gostamos bastante, e eles tem quase 3h de show. E o Dead Fish, para montar o set, está mais ou menos no mesmo esquema! E a gente tem ficado entre 1h, 1h20, quando tem os horários disponíveis. E a gente procura passar por todos os discos, mas sempre falta uma música ou outra, porque se não fica muito longo.

5 – Mas agora com um disco novo, vocês preservam tocar as músicas novas primeiro, deixando os clássicos pra depois?

Então, hoje a gente tem começado o set com uma música do “Contra Todos”, que eu acho que inicia bem, abre o leque com um disco novo, já que é um lançamento do disco, já que é um show de vinte anos também. Então, começa com o trabalho novo, e aí a gente faz uma passagem por todos os discos.

6 – O que mudou essencialmente na banda depois que o baterista saiu, o Nô?

As mudanças foram para melhor, claro. Eu acho que a banda é um casamento e se você não consegue mais ter uma sustentação mínima de respeito, ou de qualidade de sonoridade que não agrade você ou a mim, alguém tem que sair. Então, mas como a gente já não tinha mais relacionamento como amigos, e como músicos também já não correspondia a mesma coisa, ele foi convidado a sair. E continuamos hoje. E o Marco de uma nova vida à banda, ele é um amigo de longa data, também é o baterista do Ação Direta, uma banda que importantíssima no mercado nacional, no cenário nacional, que tem 25 anos. E eu acho que ele só somou. Ele é um músico fenomenal, um amigo, divertido, então eu acho que hoje vocês vão ver um Dead Fish diferente, muito mais pegado.

7 – Em relação aos shows, qual é a principal diferença com o novo baterista? Esses são os primeiros shows com ele, não é?

Ah, ele já está há dois anos com a gente. Então, que já conhecia as músicas antigas, vão ver que ele vai dar a cara dele ali na música, e esse leque nós abrimos para ele porque não adianta você chamar uma pessoa e engessar o cara para a banda. Não era essa a idéia. Então, acho que hoje a galera vai ver um Dead Fish mais eufórico, muito mais energético, com um puta músico sentado atrás da bateria. É por aí.

Phillippe: É, ele deu mais vigor de show, e musicalidade, tal. A gente passava por um período que a banda estava cansada, na parte de convivência, de não tá se dando muito bem até num show, então quando você resolve isso e coloca alguém que toca melhor, que consegue entender mais.

8 – Você acha que agora ele tem uma pegada mais forte nos shows? Ele pode dar um peso maior?

Sim, sim. Eu acho que ele é mais musical, ele é mais técnico, então isso para a banda só somou. E há a questão também do social, de estar todo mundo muito melhor, de ter um bom humor, é um cara piadista, então saber colocar o clima pra cima, e isso ajuda muito. Antes era um clima meio que ninguém se falava, e tocava no show, brigava… Então a entrada dele tomou acho que veio para suprir, pra preencher um buraco que você não quer cair mais. E no caso dele, foi muito uma luva, porque ele entrou e veio com uma pegada que a gente estava esperando.

9 – Agora, para finalizar. Qual é a sensação de ser uma das principais bandas de hardcore do Brasil? Você acha que é muita responsabilidade?

Acho que não responsabilidade, mas a gente já fez por merecer. A gente tá tocando por tanto tempo, pegando tanto de furada de shows às vezes tosco, e aquela dificuldade de ser músico no Brasil, de tá cada um pegando a sua vida e colocando isso como algo que realmente é importante, tendo esse futuro incerto, essa insegurança do dia-a-dia. Então, a gente faz meio que com a paixão na frente, e a razão era pra todo mundo já ter desistido há muito tempo, porque é quase impossível.

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Uma resposta em “Entrevista: Alyand e Phillippe, baixista e guitarrista do Dead Fish

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